Comitê Gestor do IBS pode ser votado antes do recesso: o que os empresários devem observar agora na reta final da reforma tributária

Guilherme Souza 
em 24/06/2025

A reta final da regulamentação da reforma tributária entra em contagem regressiva no Congresso. O deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), vice-líder do governo na Câmara, afirmou que o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2024, que trata da governança do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), pode ser votado ainda antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho. A estimativa reacende o alerta no setor produtivo: o momento é de atenção total às decisões que moldarão os bastidores da arrecadação no novo sistema tributário.

O que está em jogo

Um dos principais pontos do PLP 108 é a criação do Comitê Gestor do IBS, órgão que será responsável por administrar a arrecadação e distribuição do novo imposto entre União, Estados e municípios. A proposta prevê um conselho superior com 54 membros — 27 indicados por governadores e 27 por prefeitos — com peso direto na operação da nova lógica federativa.

Segundo Pedro Paulo, o entrave que impedia o avanço no Senado era um impasse entre a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Com o recente acordo entre as entidades, o relator no Senado, senador Eduardo Braga (MDB-AM), deve concluir a tramitação nos próximos dias.

Por que isso importa para o setor empresarial?

Embora o debate atual esteja centrado na engrenagem institucional do IBS, os desdobramentos impactam diretamente a previsibilidade, a segurança jurídica e a transparência do novo regime tributário, três pontos centrais para o empresariado brasileiro.

Empresas — especialmente as optantes pelo lucro real — precisam entender como o Comitê Gestor vai operar, quais serão os critérios de repasse e como isso influenciará aspectos como cumulatividade, créditos e repasses intermunicipais. Esse arcabouço é essencial para o planejamento fiscal e para a adaptação a partir de 2026, quando os primeiros testes operacionais do novo modelo devem se iniciar.

Entenda o contexto político: “brigadeiro ou cajuzinho” e o alerta fiscal

Durante evento realizado pela Firjan e pela Editora Globo, Pedro Paulo minimizou os pontos pendentes: “A reforma já foi. Estamos na fase final de resolver ‘brigadeiro ou cajuzinho’”, em referência à disputa sobre detalhes técnicos residuais.

Apesar do tom de otimismo, o parlamentar fez críticas contundentes à condução fiscal do governo. Segundo ele, o país se aproxima de um “colapso orçamentário”, em razão da falta de um choque de credibilidade fiscal. O alerta ganha peso em meio à manutenção da Selic em 15% e à alta da inflação, num ambiente que exige responsabilidade tanto do setor público quanto da iniciativa privada.

Pontos de atenção para os empresários

Os líderes empresariais devem focar em quatro frentes imediatas:

  1. Acompanhamento da votação do PL 108/2024: A governança do IBS define o modus operandi da nova arrecadação. Isso impacta diretamente as obrigações fiscais e os fluxos de crédito do setor privado.
  2. Estratégia de compliance tributário: A transição exige auditorias internas, reestruturação de sistemas ERP e análise dos impactos por Estado e município.
  3. Diálogo com entidades setoriais: A formação do Comitê Gestor será dividida entre representantes estaduais e municipais. Federações e associações empresariais devem buscar interlocução ativa para garantir que os interesses do setor produtivo sejam levados em conta.
  4. Monitoramento do equilíbrio fiscal federal: A sustentabilidade das contas públicas impacta diretamente o ambiente de negócios. A sinalização de colapso fiscal exige cenários alternativos nas projeções financeiras das companhias.

Com a perspectiva de votação antes do recesso — ou seja, em menos de um mês — o empresariado precisa atuar agora. O tempo da reforma estrutural se esgota e, como sinaliza Pedro Paulo, o momento é de consolidar a governança, não de reescrever princípios.

Como mostrou o Valor Econômico, a engrenagem do novo sistema está quase pronta. Cabe ao setor privado se adaptar com agilidade e estratégia, sob risco de perder competitividade em um ambiente tributário mais técnico, mais digital e — espera-se — mais justo.

Compartilhe:
newsletter

Toda segunda-feira, o mundo em suas mãos

Toda segunda-feira, você recebe insights exclusivos e análises profundas, antes restritos aos grandes executivos. Assine agora.
Revista Pondera

Amplie sua perspectiva, pondere conosco.

A revista Pondera te entrega as reflexões certas para navegar o cenário corporativo e tributário com segurança e inteligência.

Amplie sua perspectiva, pondere conosco.

A revista Pondera te entrega as reflexões certas para navegar o cenário corporativo e tributário com segurança e inteligência.

Envie uma mensagem