Fazenda pede tempo e Braga adia relatório sobre Comitê do IBS

Assertif 
em 02/07/2025

O calendário da regulamentação da reforma tributária sofreu mais um ajuste. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) adiou a apresentação do relatório do PLP 108/2024, que define a estrutura e o funcionamento do Comitê Gestor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), a pedido do Ministério da Fazenda.

A nova previsão é de que o texto só entre em votação no segundo semestre, após uma nova rodada de entendimentos com estados e municípios. Segundo Braga, há pontos “sensíveis” que ainda precisam de ajustes técnicos, o que sinaliza que o Executivo quer evitar conflitos federativos no momento final da tramitação.

O que está sendo discutido?

O Comitê Gestor do IBS será a engrenagem operacional do novo sistema de arrecadação, responsável por dividir os recursos entre estados e municípios. O PLP 108/2024, portanto, não trata de alíquotas ou exceções setoriais, mas de governança tributária: quem decide, como decide e com quais critérios.

Esse adiamento significa que ainda não há consenso sobre:

  • A composição do colegiado (quantos membros serão indicados por quem);
  • O peso técnico versus político das decisões;
  • Os mecanismos de controle, transparência e voto dentro do Comitê;
  • A atuação de secretarias de Fazenda estaduais e municipais no processo.

Por que os empresários devem ficar atentos?

Embora esse não seja um tema “de prateleira” para o varejo ou para a operação diária das empresas, ele impacta diretamente o ambiente de negócios a partir de 2026. A forma como o Comitê será estruturado determinará:

  • A agilidade no repasse de créditos tributários;
  • A uniformidade ou fragmentação na aplicação das regras fiscais;
  • O nível de litigiosidade entre entes federativos, que pode afetar empresas em operações interestaduais.

Ou seja, o empresariado precisa acompanhar a definição do Comitê com o mesmo rigor com que monitora a carga tributária. Um comitê técnico, autônomo e bem estruturado será decisivo para garantir previsibilidade e eficiência ao novo modelo.

O que as empresas podem fazer agora?

Mesmo com o adiamento, o setor produtivo pode, e deve, se mobilizar:

  1. Pressione por governança técnica: federações e entidades empresariais podem articular com parlamentares e a Fazenda pela inclusão de critérios técnicos e indicadores de desempenho na atuação do Comitê.
  2. Simule cenários de distribuição regional: grupos empresariais com atuação nacional devem mapear o impacto da arrecadação descentralizada sobre seus fluxos logísticos e fiscais.
  3. Integre equipes tributárias e institucionais: a regulamentação é política, mas seus reflexos são fiscais. Integração entre jurídico, contábil e relações governamentais é fundamental.
  4. Planeje com margem: a reforma está em fase final, mas os detalhes fazem a diferença. Planejar com cenários alternativos é mais prudente do que reagir sob pressão.
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