Comitê Gestor do IBS: ajustes com a Fazenda adiam relatório e aumentam a expectativa do setor privado

Assertif 
em 06/08/2025

O relatório do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2025, que regulamenta o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), ainda não está pronto. O motivo: não houve consenso entre a equipe técnica do Senado e o Ministério da Fazenda sobre pontos-chave da redação. Com isso, o texto deve ficar para o final de agosto, o que amplia a insegurança para empresas que dependem de previsibilidade na transição para o novo modelo tributário.

Segundo o senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator do projeto, será necessária uma nova rodada de reuniões entre os técnicos do Senado e da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária, liderada por Bernard Appy. Esses encontros devem ocorrer nos próximos dias.

O Comitê Gestor do IBS é peça central da reforma tributária: será o órgão responsável por coordenar a arrecadação, a compensação de créditos e a distribuição das receitas do novo imposto entre União, estados e municípios. Por isso, sua estrutura precisa ser clara, estável e tecnicamente robusta.

Além do impasse técnico, o projeto acumula 312 emendas apresentadas por senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que deve tornar o processo de conciliação ainda mais difícil. O desafio do relator será manter a essência do texto sem travar o avanço político da proposta.

Com a tramitação impactada por obstruções parlamentares nesta semana, a instalação da Comissão Mista da medida provisória que trata do setor elétrico — da qual Braga seria presidente — também foi adiada. Esse atraso pode ter reflexos indiretos no ritmo de tramitação do PLP 108/2025.

Para o setor privado, o atraso no fechamento do relatório é um sinal de alerta. O desenho institucional do Comitê Gestor afetará diretamente:

  • A centralização ou descentralização das obrigações acessórias do IBS;
  • A eficiência da compensação de créditos tributários;
  • O modelo de relacionamento entre contribuintes e os fiscos;
  • O cronograma realista para adaptação de sistemas, processos e compliance fiscal.

Empresas com atuação nacional, operações complexas ou alta exposição a ICMS e ISS devem manter acompanhamento técnico contínuo da evolução do texto. O que está sendo definido agora impactará a base operacional da arrecadação pelos próximos anos.

O Grupo Assertif reforça a importância de um Comitê Gestor do IBS que una representatividade federativa com governança técnica, autonomia operacional e foco na simplificação. Quanto mais previsível e eficiente for esse modelo, menor será o custo de adaptação para as empresas — e maior será o ganho em segurança jurídica e competitividade para a economia brasileira.

Seguiremos acompanhando cada etapa da tramitação e informando o setor privado com clareza, foco técnico e visão estratégica.

Compartilhe:
newsletter

Toda segunda-feira, o mundo em suas mãos

Toda segunda-feira, você recebe insights exclusivos e análises profundas, antes restritos aos grandes executivos. Assine agora.
Revista Pondera

Amplie sua perspectiva, pondere conosco.

A revista Pondera te entrega as reflexões certas para navegar o cenário corporativo e tributário com segurança e inteligência.

Amplie sua perspectiva, pondere conosco.

A revista Pondera te entrega as reflexões certas para navegar o cenário corporativo e tributário com segurança e inteligência.

Envie uma mensagem