A Reforma Tributária do consumo entra, de fato, no radar operacional das empresas a partir de 2026. É nesse ano que a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que vai substituir PIS e Cofins, passa a existir em fase de testes, com alíquota reduzida. A ideia é colocar o sistema para rodar, calibrar tecnologia, regras e rotinas, e só depois avançar para a aplicação mais robusta.
Pela regra constitucional, em 2026 a CBS será cobrada à alíquota de 0,9%, enquanto o IBS (estadual/municipal) entra com 0,1%, totalizando 1%.
Do ponto de vista do empresário, é um recado importante: o foco de 2026 não é arrecadar pesado, e sim testar o motor, emissão, apuração, recolhimento e, principalmente, o mecanismo de créditos.
Para a etapa seguinte, a Fazenda trabalha com uma estimativa de alíquota para o novo IVA, e nessa conta a CBS aparece em 8,8% (com IBS estimado em 17,7%, totalizando 26,5%). O próprio material oficial trata como estimativa, usada como baliza de neutralidade e planejamento.
Aqui vale a leitura prática: referência não é “sentença final”. A reforma prevê mecanismos de fixação e ajuste das alíquotas de referência ao longo do tempo, justamente para perseguir neutralidade e acomodar mudanças legislativas.
A CBS nasce com lógica de IVA: não cumulativa, com creditamento ao longo da cadeia. No papel, isso tende a reduzir distorções e aumentar transparência. Na rotina da empresa, porém, significa que o resultado depende muito de:
Em outras palavras: quem organizar processo antes tende a sofrer menos com a virada.
A implementação é escalonada e foi desenhada para dar tempo de adaptação. Há previsão de transição com alíquotas graduais do IBS e ajustes na CBS em determinados anos, com o sistema convivendo com etapas diferentes até chegar ao desenho pleno.
Além da alíquota padrão, a reforma abre espaço para regimes diferenciados e específicos, que podem alterar o peso efetivo por setor e por tipo de operação. Isso não é detalhe: para algumas empresas, o “impacto CBS” será muito mais de regras do que de percentual.

