A Receita Federal está mudando o jeito de fiscalizar, menos surpresa, mais “corrija antes do auto”. Em 2025, grandes empresas autorregularizaram R$ 58,2 bilhões, alta de 27% sobre 2024, segundo dados apresentados no Relatório Anual de Fiscalização 2025–2026. Desse total, cerca de R$ 6 bilhões viraram pagamento ou parcelamento e entraram no caixa da União.
A manchete é boa para quem valoriza previsibilidade: quando o Fisco dá a chance de ajustar inconsistências antes de autuar, o custo tende a ser menor e o risco jurídico, mais controlável. Mas o recado por trás do número é claro: a Receita está mais capaz de enxergar divergências, e mais rápida para cobrá-las.
A própria Receita reconhece que autorregularização não significa, necessariamente, entrada imediata de recursos. Parte das correções envolve ajustes em prejuízos fiscais declarados, por exemplo, quando o prejuízo informado estava acima do devido, o ajuste reduz saldo futuro, mas não gera pagamento instantâneo.
Para empresas, isso muda a forma de ler o risco: nem toda “regularização” é desembolso agora, mas pode afetar planejamento tributário e projeções de IRPJ/CSLL adiante.
O crescimento não foi pontual. A série informada mostra o avanço do mecanismo como estratégia central de fiscalização:
A Receita vem estruturando equipes especializadas por setor econômico e ampliando o modelo de delegacias de maiores contribuintes (hoje com foco em óleo e gás e financeiro, com expansão prevista). Esse movimento também conversa com programas de conformidade como o Confia, de adesão voluntária, e exige do Fisco estrutura para acompanhar de perto os participantes.
Além disso, a Receita está fortalecendo a Malha Fiscal Digital (MFD), um sistema que cruza dados declarados pela empresa e por terceiros para orientar comunicações e correções antes da autuação.
Em 2025, a MFD:
Separadamente dos valores autorregularizados, a Receita informou que, em 2025, constituiu R$ 233,1 bilhões em créditos tributários via autuação (R$ 221,9 bi em pessoas jurídicas). A maior parte do valor lançado (84,9%) recaiu sobre maiores contribuintes.
Na composição dos tributos autuados, lideram:
Para 2026, a Receita indicou duas frentes de atenção:
Crédito editorial: dados e informações do furo são do Valor Econômico, a partir do relato da Receita no Relatório Anual de Fiscalização 2025–2026.
Superintendência da Receita Federal. Foto: Pillar Pedreira/Agência Senado

