Banco responde por golpe em conta digital?

Guilherme Souza 
em 10/02/2025

Você já ouviu falar sobre o golpe do leilão falso? Esse tipo de fraude online tem se tornado cada vez mais comum, especialmente em transações envolvendo veículos e produtos de alto valor. Recentemente, um caso chamou a atenção no Superior Tribunal de Justiça (STJ): um homem processou um banco digital após cair em um golpe ao tentar comprar um carro por meio de um suposto leilão virtual. Mas será que o banco pode ser responsabilizado por isso?

Neste artigo, explicamos os detalhes do caso, a decisão judicial e como você pode se proteger contra fraudes semelhantes. Confira!

O que aconteceu no caso do golpe do leilão falso?

Um comprador foi vítima de um golpe ao tentar adquirir um veículo de alto valor por meio de um leilão virtual fraudulento. Ele pagou um boleto no valor de R$ 47 mil, emitido por uma conta digital vinculada a um banco digital, acreditando estar fazendo um excelente negócio – com desconto de 70% abaixo do preço de mercado. No entanto, o carro nunca foi entregue.

Na verdade, tratava-se de um esquema criminoso: estelionatários criaram um site falso idêntico ao de empresas leiloeiras legítimas, enganando consumidores em busca de ofertas imperdíveis. Após perceber o golpe, o comprador processou o banco, alegando que este facilitou a fraude ao permitir a abertura de contas digitais de forma excessivamente conveniente para os fraudadores.

Decisão do STJ: o banco não é responsável pelo golpe

Tanto o tribunal de primeira instância quanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitaram as alegações do comprador. Conforme os magistrados:

  • O banco seguiu todas as normas regulatórias para abertura de contas digitais.
  • Não houve negligência ou falha grave por parte da instituição financeira.
  • A responsabilidade pela verificação da legitimidade do leilão era exclusivamente do comprador.

Em outras palavras, o banco fez sua parte ao cumprir os procedimentos padrão de diligência. O comprador, por outro lado, falhou ao não conferir a autenticidade do site ou do vendedor antes de realizar a transação.

Por que o banco não pode ser considerado culpado?

Para que um banco seja responsabilizado por fraudes cometidas por terceiros, é necessário comprovar negligência ou falha grave na condução de seus serviços. No caso analisado:

  1. Conformidade Regulatória:
    O banco seguiu as diretrizes estabelecidas pelo Banco Central do Brasil para abertura de contas digitais, incluindo a verificação de documentos e dados cadastrais.
  2. Responsabilidade do Consumidor:
    O comprador não tomou precauções básicas, como verificar a reputação do site, confirmar a existência do leilão ou pesquisar a autenticidade do vendedor.
  3. Fraudes Online São Responsabilidade dos Criminosos:
    O STJ reforçou que fraudes são responsabilidade dos criminosos que as praticam, e não das instituições financeiras utilizadas como intermediárias.

Como evitar cair no golpe do leilão falso?

Para se proteger contra fraudes como essa, siga estas 5 dicas essenciais:

1. Desconfie de Ofertas Muito Atrativas

Se algo parece bom demais para ser verdade, provavelmente é. Descontos exagerados em produtos de alto valor geralmente são sinais de golpes.

2. Verifique a Reputação do Site e do Vendedor

Antes de realizar qualquer compra online:

  • Pesquise a reputação do site em plataformas como o Reclame Aqui.
  • Consulte avaliações de outros clientes.
  • Compare a URL do site com a oficial da empresa anunciante.

3. Confira Certificados de Segurança

Certifique-se de que o site utiliza conexões seguras (HTTPS) e apresenta selos de segurança válidos. Sites fraudulentos frequentemente ignoram essas medidas.

4. Prefira Métodos de Pagamento Seguros

Evite transferências diretas ou pagamentos via boletos emitidos por desconhecidos. Opte por intermediários confiáveis, como marketplaces reconhecidos.

5. Denuncie Sites Suspeitos

Se identificar um possível golpe, denuncie imediatamente às autoridades competentes, como o Procon e a Polícia Civil.

Conclusão

Embora seja compreensível que vítimas de golpes busquem responsabilizar terceiros, como bancos, é fundamental entender que a responsabilidade principal por verificar a legitimidade de uma transação recai sobre o consumidor. Instituições financeiras têm o dever de seguir as normas estabelecidas, mas não podem ser culpadas por atos fraudulentos praticados por criminosos.

Portanto, a melhor forma de se proteger é adotar práticas seguras ao navegar na internet e realizar compras online. Esteja sempre atento e priorize a cautela – afinal, prevenir é sempre melhor do que remediar.

FAQ: Perguntas Frequentes

1. O banco pode ser responsabilizado por golpes em contas digitais?

Não, desde que o banco tenha cumprido suas obrigações regulatórias e não tenha agido com negligência. A responsabilidade pela verificação da oferta recai sobre o consumidor.

2. O que é o golpe do leilão falso?

É uma fraude em que criminosos criam sites falsos idênticos aos de empresas leiloeiras legítimas para enganar compradores com ofertas irreais.

3. Como identificar um site falso?

Verifique a URL, procure certificados de segurança (HTTPS), compare o site com a versão oficial da empresa e pesquise a reputação do vendedor.

4. Para quem devo denunciar um golpe online?

Denuncie à Polícia Civil, ao Procon e, se for o caso, ao Banco Central do Brasil.

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