O Brasil está prestes a implementar um modelo dual de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), mas ele não será o “melhor do mundo”. Essa foi a avaliação de Rodrigo Orair, diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, durante evento organizado pela Fiesp, IDP e FGV. Apesar dos avanços, as exceções e isenções concedidas durante as negociações políticas no Congresso limitam o potencial do novo sistema tributário.
O IVA (Imposto sobre Valor Agregado) é considerado uma das formas mais eficientes de arrecadação tributária em países desenvolvidos. Ele funciona de maneira simples: cada etapa da cadeia produtiva paga imposto apenas sobre o valor agregado ao produto ou serviço. Isso elimina a cumulatividade, onde empresas pagam impostos sobre impostos já recolhidos.
No Brasil, o novo IVA será dividido em dois pilares principais:
Esses impostos substituirão tributos como ICMS, PIS e Cofins, reduzindo a complexidade do sistema atual. No entanto, segundo Orair, o modelo brasileiro não alcançará o status de “melhor do mundo” devido às exceções e isenções incorporadas ao texto final da reforma.
Durante as negociações no Congresso, diversos setores conseguiram manter benefícios fiscais específicos, como alíquotas reduzidas ou isenções totais. Essas concessões aumentaram o chamado hiato de conformidade, ou seja, a diferença entre o potencial de arrecadação e o que realmente entra nos cofres públicos.
De acordo com Orair, se não fossem as exceções, a alíquota padrão do IVA poderia ser fixada em 20%, em vez dos atuais 28%. “Com menos exceções, teríamos menos evasão fiscal, mais simplicidade e um impacto positivo no crescimento econômico”, afirmou.
Entre os setores beneficiados estão:
Essas isenções criam distorções no mercado, pressionando setores sem benefícios especiais a arcar com uma carga tributária mais alta. Além disso, a complexidade gerada pelas exceções dificulta a adoção de um sistema verdadeiramente uniforme, prejudicando a competitividade de pequenas e médias empresas.
As isenções e benefícios concedidos durante as negociações políticas têm impactos significativos:
Segundo Orair, essas distorções tornam o IVA brasileiro menos eficiente do que poderia ser. “Não podemos dizer que estamos no melhor IVA do mundo porque esse último princípio [mínimo possível de exceções] foi muito flexibilizado”, afirmou.
Apesar das limitações, o governo aposta em duas estratégias para mitigar os impactos negativos das isenções:
Essas medidas têm potencial para equilibrar o sistema ao longo do tempo, reduzindo a alíquota média e promovendo um ambiente mais justo para todos os setores.
Embora o novo IVA brasileiro represente um avanço em relação ao sistema atual, ele está longe de ser o “melhor do mundo”. As exceções e isenções concedidas durante as negociações políticas comprometem sua eficiência, criando distorções e aumentando a carga tributária para setores sem tratamento especial.
Para o Brasil caminhar rumo a um sistema tributário mais justo e eficiente, será necessário reduzir gradualmente as exceções e garantir maior equidade entre os setores.