A reforma tributária ainda nem entrou em vigor — mas os estados brasileiros já estão em guerra.
E o campo de batalha é um detalhe técnico capaz de custar bilhões em arrecadação e milhões em riscos para empresas: a base de cálculo do ICMS em 2026.
O que deveria ser um ano-teste, virou um território de disputa institucional, omissões legislativas e interpretações divergentes. E, como sempre, quando o Estado briga, quem paga a conta são as empresas.
Em 2026, o Brasil vive um sistema híbrido.
O ICMS ainda existe, mas novos tributos — IBS e CBS — também passam a operar em caráter simbólico, com alíquotas-teste de 0,1% e 0,9%.
E aqui surge a pergunta que nem a Constituição nem a Lei Complementar 214 responderam:
A falta de resposta abriu espaço para que cada estado decida como quiser.
E eles decidiram.
Para esses entes, IBS e CBS não devem entrar na base do ICMS.
A lógica é simples:
Do ponto de vista empresarial, essa interpretação reduz incertezas — mas apenas nesses estados.
Na outra ponta, Pernambuco afirma o contrário:
Resultado: três estados, três interpretações — e zero segurança jurídica.
Nem a EC 132, nem a LC 214 trataram do tema.
E, em direito tributário, quando o legislador deixa uma lacuna, o que acontece?
A judicialização cresce.
A disputa agora está nas mãos:
A “simplificação tributária” ganhou um desvio logo na largada.
Mesmo simbólicos, os percentuais do IBS e CBS impactam margens e decisões de 2026.
O dilema é cruel e real:
Cada escolha tem custo financeiro, contábil e concorrencial.
E como não existe unidade interpretativa, as empresas já começam o ano obrigadas a lidar com diferentes conceitos de base tributária dependendo da UF.
A reforma prometeu unificação.
Mas o que vemos é o renascimento da guerra fiscal — agora com outra cara.
Antes, brigava-se por alíquotas.
Agora, briga-se por entendimento jurídico.
A insegurança não terminou.
Ela apenas ganhou um novo disfarce.
Com a divergência instalada, a única estratégia racional é a prevenção:
Regra de ouro: quem se antecipa evita passivos ocultos.
2026 não é o início da simplificação.
É o início da disputa entre:
Para as empresas, não há espaço para improviso.
Há espaço para estratégia.
Se até os estados discordam sobre como aplicar a reforma, imagine o impacto para quem vende, compra e paga imposto todos os dias.
A pergunta é simples — e urgente:
Ou vai esperar a primeira autuação chegar?

