Novo parecer da reforma tributária avança e impacta empresas

Assertif 
em 15/12/2025

A Câmara dos Deputados deve votar nesta segunda-feira (15) o novo parecer sobre o Projeto de Lei Complementar nº 108/2024, que integra o segundo pacote de regulamentação da reforma tributária do consumo. O texto foi apresentado pelo relator, deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), e consolida ajustes feitos ao longo da tramitação no Senado.

O parecer mantém pontos considerados estratégicos por estados e setores produtivos, ao mesmo tempo, em que redefine aspectos operacionais da implementação dos novos tributos que substituirão impostos atuais.

O que foi decidido no novo parecer

O relator optou por preservar dispositivos que já haviam sido incluídos pelo Senado e que tratam de temas sensíveis do sistema tributário.

Entre os principais pontos mantidos está o combate à sonegação no setor de combustíveis, com a continuidade da tributação monofásica da nafta, tanto no ICMS quanto nos novos tributos sobre bens e serviços — o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Outro ponto confirmado é o teto de 2% para o Imposto Seletivo sobre refrigerantes, limite que havia sido negociado durante a tramitação no Congresso.

O texto também preserva as mudanças feitas pelo Senado na composição do Comitê Gestor do IBS, órgão responsável pela administração e distribuição do novo imposto entre estados e municípios, em uma tentativa de reduzir disputas institucionais entre entes federativos.

Por outro lado, o parecer retirou a previsão de emissão unificada de documentos fiscais para empresas do setor de serviços que atualmente utilizam documentos consolidados.

Além disso, o relator retomou a versão original da Câmara em trechos que tratam da harmonização entre IBS e CBS e da divisão de competências entre auditores fiscais e procuradores. Em caso de divergência entre decisões envolvendo os dois tributos, o Comitê de Harmonização será acionado, com consulta obrigatória ao Fórum de Harmonização, responsável por emitir parecer jurídico.

Como essas decisões podem afetar as empresas

As definições do novo parecer têm impacto direto sobre planejamento tributário, sistemas fiscais e gestão de riscos das empresas.

No setor de combustíveis e derivados, a manutenção da tributação monofásica reduz o risco de mudanças abruptas na cadeia de recolhimento e traz maior previsibilidade para preços, contratos e margens durante o período de transição da reforma tributária.

Para a indústria de bebidas, o teto de 2% do Imposto Seletivo funciona como um limitador de impacto financeiro, permitindo projeções mais seguras de custo e evitando oscilações bruscas na carga tributária no curto prazo.

A redefinição da governança do Comitê Gestor do IBS tende a diminuir disputas políticas entre estados e municípios, o que, para as empresas, significa menor risco de decisões administrativas conflitantes e maior estabilidade na aplicação do novo imposto.

Já a retirada da emissão unificada de documentos fiscais representa um ponto de atenção, especialmente para empresas de serviços. A manutenção de obrigações acessórias fragmentadas exige maior investimento em tecnologia, revisão de processos internos e atenção redobrada ao compliance fiscal.

Por fim, o modelo de harmonização entre IBS e CBS cria um caminho institucional para resolver divergências interpretativas. Embora isso não elimine totalmente o risco de conflitos, pode reduzir autuações contraditórias e disputas judiciais prolongadas, fator relevante para empresas que operam em múltiplas regiões.

O que as empresas devem observar a partir de agora

Com a votação do parecer prevista para os próximos dias, o cenário indica que a regulamentação da reforma tributária avança para uma fase mais operacional. Para as empresas, o momento é de acompanhamento ativo e preparação:

  • Revisão de impactos setoriais da nova tributação;
  • Avaliação de sistemas fiscais e obrigações acessórias;
  • Planejamento da transição para IBS e CBS;
  • Mapeamento de riscos e oportunidades no novo modelo tributário.

A reforma tributária do consumo deixa de ser apenas uma diretriz constitucional e passa a ganhar contornos práticos. As decisões tomadas agora tendem a influenciar custos, processos e estratégias empresariais nos próximos anos.

Compartilhe:
newsletter

Toda segunda-feira, o mundo em suas mãos

Toda segunda-feira, você recebe insights exclusivos e análises profundas, antes restritos aos grandes executivos. Assine agora.
Revista Pondera

Amplie sua perspectiva, pondere conosco.

A revista Pondera te entrega as reflexões certas para navegar o cenário corporativo e tributário com segurança e inteligência.

Amplie sua perspectiva, pondere conosco.

A revista Pondera te entrega as reflexões certas para navegar o cenário corporativo e tributário com segurança e inteligência.

Envie uma mensagem