Com a aprovação da reforma tributária no Brasil, um tema técnico começa a ter impacto direto no dia a dia das empresas, e, por consequência, no bolso do consumidor. Mais do que uma mudança em regras de impostos, a reforma está obrigando empresas de todos os tamanhos a repensarem como formam seus preços e como compram produtos e serviços de seus fornecedores.
Mas, afinal, o que está acontecendo? E por que empresários e gestores precisam prestar atenção?
A resposta está no sistema de créditos tributários.
Atualmente, muitas empresas pagam impostos sobre tudo o que compram (matéria-prima, serviços, insumos) e depois pagam novamente impostos sobre o produto ou serviço final. Isso gera o chamado “efeito cascata”, aumentando os preços.
Com a reforma, entra em vigor o chamado sistema de “não cumulatividade plena”. Na prática, as empresas vão poder recuperar o imposto pago nas etapas anteriores da cadeia produtiva, usando esses valores como crédito para abater o imposto a pagar.
O que isso significa? Que os impostos deixarão de ser um custo embutido no preço final do produto, desde que a empresa faça corretamente o controle desses créditos.
Por isso, precificar um produto ou serviço vai exigir uma mudança: empresas precisarão calcular seus preços excluindo o imposto (preço “líquido”), já que boa parte desse valor será recuperado no fluxo de créditos.
Cada vez que uma empresa compra algo de um fornecedor, ela paga um imposto sobre aquela transação. No novo modelo, esse imposto pago vira um crédito.
Mas atenção: nem todos os fornecedores vão gerar créditos. Isso acontece, por exemplo, com empresas enquadradas no Simples Nacional, regime usado por pequenos negócios. Se uma empresa compra de um fornecedor do Simples, o imposto pago a ele não poderá ser recuperado como crédito.
Ou seja: fornecedores que hoje são considerados mais baratos podem, na prática, se tornar mais caros sob o novo sistema, justamente porque não geram créditos tributários.
É por isso que muitas empresas já começaram a revisar suas listas de fornecedores, priorizando aqueles que geram créditos e renegociando preços e contratos.
Depende. Se as empresas souberem aproveitar os créditos tributários e renegociarem corretamente com seus fornecedores, há potencial para redução de custos e de preços.
Porém, se não ajustarem sua gestão e continuarem absorvendo custos desnecessários – por exemplo, usando fornecedores que não geram créditos – podem ter aumento de custos e repassá-los aos preços finais.
Ou seja: tudo vai depender da organização interna de cada empresa.
Empresas que não fizerem isso a tempo podem ter prejuízos ou perder competitividade.
A reforma tributária, que pode parecer um assunto distante da realidade da maioria das pessoas, na verdade está provocando uma grande reorganização nos bastidores do mercado. E esse movimento pode impactar diretamente o preço dos produtos nas prateleiras e o valor dos serviços contratados.
Empresas preparadas podem ganhar eficiência e reduzir preços. Já aquelas que não se adaptarem correm o risco de perder espaço.
Agora, empresários, gestores e consumidores precisam acompanhar de perto essas mudanças. Afinal, a forma como o Brasil cobra impostos está mudando – e isso afeta toda a economia.

