Split payment deve estrear em janeiro de 2027 ainda incompleto, diz Receita

Assertif 
em 22/05/2026

O split payment — mecanismo que separa automaticamente o valor do tributo no momento do pagamento — deve entrar em operação em 1º de janeiro de 2027, mas ainda sem estar totalmente completo, segundo a Receita Federal. Nas palavras do subsecretário de Gestão Corporativa, Juliano Brito, para a Valor Economico o split é a “jóia da coroa” da reforma tributária e a intenção é começar na virada do ano, mesmo que de forma parcial.

O que é split payment (sem tecnicês)

Hoje, o comprador paga o valor integral ao vendedor e o vendedor recolhe o tributo depois. No split payment, a lógica muda: na hora da transação, a parte do imposto é separada e segue para o governo, enquanto o restante vai para o fornecedor.

Isso reduz o risco de inadimplência e sonegação, mas também muda o “timing” do imposto dentro do caixa das empresas.

O que significa começar “incompleto”

Na prática, o split payment tende a estrear em fases: primeiro em alguns meios de pagamento e/ou em alguns tipos de operação (por exemplo, B2B), e só depois expandir para o resto do mercado. Esse desenho é compatível com o que já vem sendo discutido na implementação: o sistema começa onde é mais controlável e evolui conforme integrações e padrões amadurecem.

Para o empresário, o ponto não é se vai existir split payment — é quando e em quais canais ele vai bater primeiro.

Impacto real: caixa e operação

  1. Menos “fôlego” de imposto no caixa
    Se parte do tributo é segregada na liquidação, a empresa deixa de “carregar” esse valor até o recolhimento.
  2. Conciliação vira rotina crítica
    Fiscal, TI e Tesouraria precisam conciliar documento fiscal, pagamento e retenção. Erro aqui vira imposto pago a maior, crédito travado ou diferença a complementar.
  3. Pagamentos entram no centro do compliance
    O split puxa a área de meios de pagamento (Pix, boleto, adquirência, PSPs) para dentro do planejamento tributário — não dá mais para tratar como assunto só do fiscal.

Checklist rápido para 2026

  • Mapear canais de recebimento (Pix/boleto/cartão/marketplace) e volume por canal.
  • Garantir no ERP a trilha NF → pagamento → liquidação → imposto segregado.
  • Definir rotina de conciliação diária/semanal entre fiscal e tesouraria.
  • Criar um plano de contingência para exceções (pagamento sem referência, cancelamentos, chargeback, parcelado).

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