Notícias 01 out 2026 · 8 min · leitura

Split payment: testes com bancos começam em 15 de outubro. Entenda os modelos inteligente e super inteligente

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Guilherme Souza
01 out 2026
Profissional consultando gráficos de pagamentos em um tablet, ilustrando os testes do split payment com bancos

Os testes de integração do split payment entre bancos, instituições de pagamento e a Plataforma Pública do Split Payment começam em 15 de outubro de 2026, em ambiente controlado, sem efeito sobre operações reais e sem penalidade para os participantes. A primeira leva de prestadores de serviços de pagamento é indicada pelas associações até 2 de outubro. Os demais podem se inscrever a partir de 16 de novembro. Para as empresas, o split payment só começa a funcionar no segundo semestre de 2027, de forma opcional e apenas em operações entre empresas (B2B).

Em resumo

  • 15/10/2026: início dos testes entre prestadores de serviços de pagamento e a plataforma da Receita e do Comitê Gestor do IBS;
  • 2/10/2026: prazo para os interessados pedirem indicação à sua associação, que formaliza a lista na Confederação Nacional das Instituições Financeiras;
  • 16/11/2026: abertura de inscrições diretas na Receita e no Comitê Gestor para os demais;
  • Segundo semestre de 2027: split payment disponível para empresas, opcional e só no B2B;
  • Dois modelos: “inteligente”, quando o comprador informa os dados, e “super inteligente”, quando o vendedor informa e o sistema consulta o Fisco;
  • Sem os dados do tributo, não há split: o pagamento segue normalmente, sem separação.

O que começa em 15 de outubro?

A fase de testes técnicos de integração entre os prestadores de serviços de pagamento (bancos, instituições de pagamento e demais participantes dos arranjos) e a Plataforma Pública do Split Payment, mantida pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS. Segundo a Receita:

  • os testes acontecem em ambiente controlado, sem impacto sobre operações reais ou consumidores;
  • nenhuma transação é processada pelo split em caráter definitivo;
  • os participantes não ficam sujeitos a penalidade durante o teste.

Ou seja: nada muda agora no pagamento das empresas. O que começa é a preparação da infraestrutura que vai separar o IBS e a CBS no momento da liquidação financeira.

Quem pode participar dos testes?

EtapaQuemComo e quando
Primeira fasePrestadores de serviços de pagamento ligados a associações do setorPedir indicação à associação até 2/10/2026. A lista é formalizada na Confederação Nacional das Instituições Financeiras
Fase seguinteDemais prestadores de serviços de pagamentoFormulário enviado direto à Receita e ao Comitê Gestor do IBS a partir de 16/11/2026, sem intermediação de associação

Os testes envolvem quem processa pagamentos. Empresas que compram e vendem não participam diretamente desta etapa.

Quando o split payment começa a valer para as empresas?

No segundo semestre de 2027, e com três limites:

  • opcional: a empresa escolhe usar;
  • só B2B: operações entre empresas. A venda ao consumidor final fica para depois, como explicamos em split payment no varejo;
  • só IBS e CBS: o split separa apenas os novos tributos. Se a operação não tem IBS e CBS destacados, como na compra de um MEI, não há o que separar.

Na arquitetura inicial estão boletos, modalidades de Pix, TED e TEF. Cartões de crédito, débito e pré-pagos devem ser integrados depois.

O que é preciso informar para o split acontecer?

Comprador ou vendedor precisa informar ao meio de pagamento o valor de IBS e CBS em reais e a identificação do documento fiscal da operação. Se esses campos não forem preenchidos, o pagamento segue normalmente, sem a separação do tributo. Por isso, mesmo sendo opcional, o split depende de a nota fiscal estar correta: é dela que saem os valores. Veja o que já mudou nas notas com a NFS-e com IBS e CBS desde 1º de outubro.

Split inteligente e split super inteligente: qual a diferença?

O manual de operações prevê dois modelos que vão conviver. O que define qual se aplica é quem preenche os dados do pagamento:

Split “inteligente”Split “super inteligente”
Quem informa os dadosO comprador (pagador)O vendedor (recebedor)
Meios de pagamentoTED, TEF, Pix por chave e Pix com QR Code estáticoBoleto, Pix com QR Code dinâmico e Pix Automático
Consulta ao FiscoNão. Separa o valor informado na operaçãoSim. O banco consulta a Receita e o Comitê Gestor antes de liquidar
Se o tributo já foi pagoPode haver retenção a maisO valor informado pode ser ajustado pelo Fisco até a liquidação
Retenção acima do devidoRessarcimento ao fornecedor em até 3 dias úteisMenos provável, porque o valor é conferido antes de liquidar

No modelo super inteligente, a consulta serve para saber se o IBS e a CBS daquela operação já foram extintos de outra forma, por exemplo com créditos do próprio fornecedor, e se a separação ainda é necessária. No modelo inteligente, o sistema confia no valor informado pelo comprador, e eventual excesso volta ao fornecedor depois.

O que isso muda para quem vende a empresas

Para o fornecedor, a diferença é de caixa. Com o split, a parcela de IBS e CBS deixa de passar pela conta da empresa: ela recebe o valor líquido. No modelo inteligente, uma retenção maior que a devida só volta em até três dias úteis. Empresas com margem apertada ou que usam o imposto a recolher como capital de giro precisam incluir isso no planejamento de 2027.

Para o comprador, a vantagem é de segurança do crédito: com o tributo separado na liquidação, diminui o risco de o fornecedor não recolher. É uma alternativa ao recolhimento pelo adquirente (RAD). O funcionamento completo do mecanismo, e o que ele não resolve, está no nosso guia do split payment.

O que as empresas devem fazer agora

  1. Mapear como recebem e pagam no B2B: boleto, Pix, TED. Isso define qual modelo de split vai valer em cada caso;
  2. Garantir que o ERP gere o valor de IBS e CBS e a identificação do documento fiscal junto com a cobrança;
  3. Simular o efeito no caixa de receber o valor líquido a partir do segundo semestre de 2027;
  4. Perguntar ao banco se ele participa dos testes e qual o cronograma de adaptação dos boletos e do Pix;
  5. Revisar contratos com clientes e fornecedores que tratem de forma de pagamento e retenção.

Perguntas frequentes

Quando começam os testes do split payment?

Em 15 de outubro de 2026, entre os prestadores de serviços de pagamento e a Plataforma Pública do Split Payment, em ambiente controlado, sem efeito sobre operações reais e sem penalidade para os participantes.

Quem pode participar dos testes do split payment?

Prestadores de serviços de pagamento. Na primeira fase, os indicados pelas associações até 2 de outubro de 2026. A partir de 16 de novembro, os demais podem se inscrever direto na Receita e no Comitê Gestor do IBS.

Quando o split payment começa para as empresas?

No segundo semestre de 2027, de forma opcional e apenas em operações entre empresas (B2B). A venda ao consumidor final fica para uma etapa posterior.

O que é split inteligente?

É o modelo usado quando o comprador informa os dados do pagamento, em TED, TEF, Pix por chave e Pix com QR Code estático. O valor informado é separado sem consulta ao Fisco, e eventual retenção a mais é devolvida ao fornecedor em até três dias úteis.

O que é split super inteligente?

É o modelo usado quando o vendedor informa os dados, em boleto, Pix com QR Code dinâmico e Pix Automático. Antes de liquidar, o banco consulta a Receita e o Comitê Gestor do IBS para saber se o tributo já foi quitado de outra forma e se a separação é necessária.

O split payment é obrigatório?

Não na primeira etapa. Em 2027, será opcional e restrito ao B2B. Se os dados de IBS e CBS não forem informados no pagamento, a transação segue sem a separação do tributo.

Compra de MEI tem split payment?

Não há o que separar. O split só alcança IBS e CBS destacados na operação, e o MEI não destaca esses tributos.

Cartão de crédito terá split payment?

Não na arquitetura inicial, que cobre boleto, Pix, TED e TEF. Cartões de crédito, débito e pré-pagos devem ser integrados em etapa posterior.

Próximo passo

O split payment muda o caixa de quem vende e a segurança do crédito de quem compra. Se a sua empresa quer medir esse efeito e preparar a operação para 2027, fale com um especialista da Assertif.

Fontes principais

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