Sim. Pelo boletim do Tesouro Nacional divulgado em abril de 2026, a carga tributária bruta do Brasil chegou a 32,40% do PIB em 2025, o maior valor da série iniciada em 2010. O dado ainda é uma estimativa: a Receita Federal, que publica o número oficial, não havia divulgado o de 2025 até 20/10/2026. A afirmação de recorde foi checada pela Lupa e classificada como verdadeira. Mesmo assim, comparar governos exige usar sempre a mesma série, porque mudanças de metodologia alteram os números de anos anteriores.
Em resumo
- Recorde: 32,40% do PIB em 2025, a maior carga da série do Tesouro, que começa em 2010.
- Trajetória recente: a carga caiu em 2023 e subiu 2,1 pontos percentuais nos dois anos seguintes.
- Metodologia: na série revisada, 2022 marcou 31,24%; pela metodologia antiga do Tesouro, 33,71%.
- Receita Federal: na série oficial de 2002 a 2024, o pico é 2024, com 32,20%. O dado de 2025 ainda não saiu.
- Comparação: a média da OCDE é de 34,1% do PIB e a da América Latina, de 21,3%.
- Composição: 42,5% da carga vem de tributos sobre bens e serviços, a parte que a reforma do consumo altera.
- Checagem: a Lupa classificou como verdadeira, em 01/10/2026, a frase de que o Brasil bateu recorde de carga tributária.
Qual foi a carga tributária do Brasil em 2025?
O boletim “Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo Geral 2025”, do Tesouro Nacional, aponta 32,40% do PIB, cerca de R$ 4,13 trilhões. Em 2024, a carga havia sido de 32,22%. A alta de 0,18 ponto veio sobretudo do governo federal, puxada pelo Imposto de Renda retido na fonte, pelo IOF e pelas contribuições previdenciárias. A carga dos estados caiu um pouco, e a dos municípios subiu.
O Tesouro faz uma estimativa preliminar. O número oficial é da Receita Federal, que costuma publicá-lo mais tarde. Até 20/10/2026, a Receita não havia divulgado o dado de 2025.
Como a carga evoluiu nos últimos anos?
| Ano | Carga tributária bruta (% do PIB) | Série |
|---|---|---|
| 2022 | 31,24% | Tesouro, série revisada |
| 2022 | 33,71% | Tesouro, metodologia antiga |
| 2023 | cerca de 30,3% (queda) | Tesouro, série revisada |
| 2024 | 32,22% | Tesouro, série revisada |
| 2024 | 32,20% | Receita Federal, série oficial |
| 2025 | 32,40% | Tesouro, estimativa |
| 2025 | Não divulgado | Receita Federal |
A tabela mostra por que a fonte importa. O mesmo ano de 2022 aparece com 31,24% ou 33,71%, conforme a metodologia. Por isso, a série revisada e a antiga não devem ser misturadas.
A carga de 2025 é mesmo recorde?
Na série do Tesouro, sim. A Lupa checou a frase dita por Daniella Marques, economista da campanha de Flávio Bolsonaro, numa live em 01/10/2026, e a classificou como verdadeira. Segundo a checagem, os 32,4% de 2025 são o maior valor da série e ficam 1,2 ponto acima de 2022.
Há duas ressalvas técnicas. Primeiro, a série do Tesouro começa em 2010, então “recorde” vale para esse período. Segundo, pela metodologia antiga, 2022 havia marcado 33,71%, acima dos 32,4% de 2025. Por isso, qualquer comparação entre governos precisa usar a mesma série do início ao fim. Misturar números de metodologias diferentes leva a conclusões opostas sobre o mesmo período.
A carga do Brasil é alta comparada à OCDE?
Depende da referência. O Brasil fica abaixo da média dos países da OCDE e bem acima da média da América Latina, segundo as estatísticas de receita da própria OCDE.
| Referência | Carga (% do PIB) | Ano do dado |
|---|---|---|
| Brasil | 32,4% | 2025 (Tesouro) |
| Média da OCDE | 34,1% | até 2024 |
| Média da América Latina | 21,3% | até 2023 |
Quanto vale um ponto do PIB? Um cálculo aproximado
Se 32,40% do PIB correspondem a cerca de R$ 4,13 trilhões, cada ponto percentual vale perto de R$ 127 bilhões. Nessa conta aproximada, a distância de 1,7 ponto até a média da OCDE equivale a uns R$ 217 bilhões. Já a distância de 11,1 pontos em relação à média latino-americana passa de R$ 1,4 trilhão. São valores ilustrativos, que servem para dar escala aos pontos percentuais, e não estimativas oficiais.
De onde vem a carga tributária brasileira?
A maior fatia vem do consumo. Tributos sobre bens e serviços somaram 13,78% do PIB em 2025, ou 42,5% de toda a carga. A tributação sobre renda e lucros, de 9,16% do PIB, também ficou no maior nível da série.
| Base de incidência | % do PIB em 2025 | Alterada pela reforma do consumo? |
|---|---|---|
| Bens e serviços | 13,78% | Sim |
| Renda e lucros | 9,16% | Não |
| Contribuições sociais | 6,72% | Não |
| Propriedade | 1,73% | Não |
| Comércio exterior | 0,71% | Não |
| Folha de pagamento | 0,31% | Não |
| Total | 32,4% |
O número de normas que as empresas precisam acompanhar é outro lado do mesmo problema, tratado no post sobre o levantamento do IBPT sobre normas tributárias.
O que a Reforma Tributária muda na carga?
A reforma do consumo mexe apenas na parcela de bens e serviços. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por CBS e IBS e reduz o IPI a hipóteses ligadas à Zona Franca de Manaus. Renda, folha e propriedade seguem com regras próprias.
A EC 132/2023 criou uma trava de neutralidade no art. 130 do ADCT. Os tetos de referência usam a média da arrecadação dos tributos substituídos entre 2012 e 2021, como proporção do PIB. Se a arrecadação da CBS em 2027 e 2028 superar o teto da União, a alíquota de referência da CBS cai em 2030. Se a arrecadação total de 2029 a 2033 passar do teto total, as alíquotas de IBS e CBS caem em 2035. É por isso que a alíquota estimada de 27,91% foi calibrada para manter a arrecadação, tema do post sobre o IVA de 27,91% e a comparação internacional.
O que dizem os candidatos sobre a carga tributária?
A ordem a seguir, Lula (PT) e depois Flávio Bolsonaro (PL), não indica preferência. As posições vêm dos planos registrados no TSE e de declarações datadas, e nenhuma delas muda a lei vigente.
Lula (PT)
O plano registrado no TSE (versão de 07/08/2026) fala em justiça tributária e na manutenção do arcabouço fiscal, sem meta de carga. Em 15/12/2024, Lula disse que a reforma não tinha o objetivo de aumentar tributos. No mesmo governo, foram criados ou elevados tributos sobre combustíveis, apostas, fundos exclusivos e offshores, além do IOF. São tributos diferentes da reforma do consumo, o que impede uma conclusão direta. Não foi localizada checagem externa das falas de Lula sobre impostos na campanha, e essa ausência não indica acerto nem erro.
Flávio Bolsonaro (PL)
O plano registrado no TSE (versão de 13/08/2026) propõe reduzir a carga sobre a produção e o consumo e prevê um corte de gastos chamado de tesouraço, sem valores. Em 01/08/2026, o candidato prometeu o maior corte de carga tributária da história do país. A campanha também fala em rever aumentos de tributos da gestão Haddad e em levar o IVA para perto de 19% a 20%. Nenhuma dessas promessas tem custo calculado ou fonte de compensação divulgada.
O post sobre quanto custam as propostas tributárias dos candidatos detalha essas lacunas, e o guia da série sobre a Reforma nas eleições de 2026 compara os demais temas.
O que as empresas devem fazer agora
Proposta de campanha não muda a lei. A CBS começa a ser cobrada em 01/01/2027 pelas regras atuais, qualquer que seja o resultado de 25/10.
- Separe, no seu custo tributário, o que é consumo, renda, folha e propriedade. Só a primeira parte muda com a reforma do consumo.
- Use dados da mesma fonte e da mesma metodologia ao comparar anos ou apresentar números à diretoria.
- Planeje 2027 com a lei vigente: CBS no lugar de PIS e Cofins e IBS de teste a 0,1%.
- Acompanhe as mudanças no Imposto de Renda, como o imposto mínimo sobre altas rendas, que afetam sócios e distribuição de lucros.
- Monte cenários de preço e margem para mais de um desfecho, sem depender de promessa de campanha.
Perguntas frequentes
Qual foi a carga tributária do Brasil em 2025?
Pela estimativa do Tesouro Nacional, divulgada em abril de 2026, a carga tributária bruta foi de 32,40% do PIB, cerca de R$ 4,13 trilhões. É o maior valor da série do Tesouro, iniciada em 2010.
A carga tributária de 2025 é recorde?
Sim, na série do Tesouro, e a Lupa classificou a afirmação como verdadeira em 01/10/2026. Pela metodologia antiga do Tesouro, porém, 2022 havia marcado 33,71%, por isso a comparação deve sempre usar a mesma série.
Por que existem números diferentes para a carga de 2022?
Porque o Tesouro revisou a metodologia. Na série revisada, 2022 marcou 31,24% do PIB; na metodologia antiga, 33,71%.
A Receita Federal já divulgou a carga de 2025?
Não, até 20/10/2026. Na série oficial da Receita, de 2002 a 2024, o pico é 2024, com 32,20% do PIB.
A carga tributária brasileira é maior que a da OCDE?
Não. A média da OCDE é de 34,1% do PIB, acima dos 32,4% do Brasil. Já a média da América Latina é de 21,3%, bem abaixo.
Qual parte da carga a Reforma Tributária altera?
A reforma do consumo altera os tributos sobre bens e serviços, que somaram 13,78% do PIB em 2025, ou 42,5% da carga. Renda, folha e propriedade não são alteradas por ela.
A reforma do consumo pode aumentar a carga tributária?
A EC 132/2023 criou tetos de referência baseados na arrecadação média de 2012 a 2021 como proporção do PIB. Se a arrecadação de CBS e IBS passar desses tetos, as alíquotas de referência devem ser reduzidas em 2030 e em 2035.
Este conteúdo é informativo, compara posições públicas documentadas e não constitui recomendação de voto.
Próximo passo
Com a carga no maior nível da série e a CBS começando em janeiro, entender quanto do seu custo vem de cada tributo é o ponto de partida para fechar o orçamento de 2027 com cenários, qualquer que seja o resultado da eleição. Para ver a comparação completa tema a tema, os planos registrados no TSE, os votos no Congresso e a seção especial sobre split payment, baixe grátis o relatório Reforma Tributária: o que pensam os candidatos do 2º turno. E, se quiser medir o efeito da Reforma Tributária nos números da sua empresa em cada cenário, peça um diagnóstico de impacto a um especialista da Assertif.
Fontes principais
- Carga tributária bruta do Governo Geral atinge 32,40% do PIB em 2025, Tesouro Nacional
- Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo Geral 2025, Tesouro Transparente
- Boletim do Tesouro mostra carga de 32,40% do PIB em 2025, Ministério da Fazenda
- Checagem da live de Flávio Bolsonaro de 01/10/2026, Lupa
- Limites das alíquotas de referência e alíquotas próprias do IBS e da CBS, Consultor Jurídico
