Notícias 20 out 2026 · 12 min · leitura

Reforma Tributária nas eleições 2026: o que propõem Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno

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Guilherme Souza
20 out 2026
Prédio do Congresso Nacional em Brasília sob céu azul, onde tramitam as mudanças na Reforma Tributária debatidas nas eleições de 2026

Na reforma tributária, as eleições 2026 põem frente a frente duas posições documentadas. Lula (PT) sancionou as leis da reforma do consumo e, no plano registrado no TSE, promete “consolidar os avanços”. Flávio Bolsonaro (PL) votou contra a reforma no Senado e, no plano, propõe a “revisão e o redimensionamento” dela, com IVA menor e menos exceções. Os dois convergem em um ponto: manter a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Seja qual for o resultado de 25/10, a CBS começa a ser cobrada em 01/01/2027, porque isso já é lei.

Neste texto, os candidatos aparecem sempre na ordem Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A ordem não indica preferência.

Em resumo

  • Lei vigente: a EC 132/2023, a LC 214/2025 e a LC 227/2026 já criaram e regulamentaram a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo. A CBS é cobrada a partir de 01/01/2027.
  • Lula (PT): sancionou as leis da reforma e quer manter o cronograma. O plano não cita alíquota nem prazo.
  • Flávio Bolsonaro (PL): votou contra a PEC 45, o PLP 68 e o PLP 108. Propõe revisar a reforma, reduzir o IVA para perto de 19% e cortar exceções.
  • Mapa de posições: há 6 temas com divergência documentada, 5 sem contraponto direto e 1 convergência, a isenção do IR até R$ 5 mil.
  • Mudança de discurso: a campanha de Flávio falou em revogar (maio), suspender por um ano (maio e junho) e revisar em até seis meses (desde agosto).
  • Sem resposta direta: até 20/10/2026, não foi localizada resposta direta de Lula à proposta de suspender ou revisar a reforma. Auxiliares do governo e da campanha responderam.
  • Estimativa, não lei: o IVA de 27,91% é a hipótese usada nas projeções de arrecadação. O IVA de 19% é proposta de campanha, sem texto legal.

Qual foi o resultado do 1º turno e quando é o 2º turno?

Pelo resultado oficial do TSE, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos no 1º turno, em 04/10/2026, e Lula (PT) teve 45,16%. O 2º turno é em 25/10/2026.

Quem vencer toma posse em 05/01/2027, data fixada pela EC 111/2021. É quatro dias depois do início da cobrança da CBS, que substitui o PIS e a Cofins. Se o próximo presidente pode mudar esse calendário é o tema de outro texto desta série: o presidente eleito pode adiar ou revogar a Reforma Tributária?

Onde Lula e Flávio Bolsonaro divergem e onde convergem?

A tabela usa votos no Senado, leis sancionadas, planos no TSE e declarações datadas. “Sem contraponto” indica que um lado não apresentou proposta comparável, o que não conta como divergência.

TemaSituaçãoLula (PT)Flávio Bolsonaro (PL)
EC 132/2023 (IVA dual)DivergePromulgada em seu governoVotou contra nos dois turnos
LC 214 e LC 227DivergeSancionou as duas, com vetosVotou contra as duas
Cronograma 2026 a 2033DivergeMantémPropôs suspender por um ano; hoje fala em revisar em até seis meses e estuda encurtar a transição
Alíquota do IVASem contrapontoNão propõe mudançaPropõe baixar de cerca de 28% para perto de 19%
Exceções e regimes diferenciadosSem contrapontoSem proposta de alteraçãoQuer cortar exceções setoriais
Imposto SeletivoDivergeDefende usá-lo contra produtos nocivos à saúdeCriticou o “imposto do pecado” em maio de 2026
Isenção do IR até R$ 5 milConvergePropôs e sancionou (Lei 15.270/2025)Apoiou no Senado e promete manter
Imposto mínimo e dividendosDivergeCriou o imposto mínimo de até 10%Propôs emenda para excluir profissionais liberais
Super-ricos e offshoresSem contrapontoSancionou a Lei 14.754/2023Votação simbólica, sem registro do voto dele
IOFDivergeElevou por decreto em 2025; o STF restabeleceu o aumento em partePropõe extinguir aos poucos o IOF sobre câmbio
MEI e autônomosSem contrapontoPromete regras mais simples para autônomos (plano, p. 57 e 76)Defende carga menor sobre serviços e comércio
Energia, combustíveis e exportaçãoSem contrapontoNão foi localizada proposta específicaPromete reduzir impostos e desonerar exportações e investimentos

Resultado: seis divergências, cinco temas sem contraponto e uma convergência. A convergência é a isenção do IR até R$ 5 mil; o detalhe está no texto isenção do IR até R$ 5 mil e imposto mínimo.

O que dizem os planos de governo registrados no TSE?

Cada candidato registrou um único plano, e nenhum dos dois o atualizou para o 2º turno. A suspensão da reforma e a meta de IVA de 19% aparecem só em declarações da campanha de Flávio, fora do documento entregue ao TSE.

Plano de Lula (PT)

O documento “Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil” tem 84 páginas (versão de 07/08/2026). Fala em “consolidar os avanços promovidos pela reforma tributária” (p. 48). Sobre renda, repete a frase “colocar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda” (p. 10). Prevê regulamentar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, o FNDR (p. 56). Não menciona alíquota do IVA nem exceções.

Plano de Flávio Bolsonaro (PL)

O documento “Para o Brasil vencer o atraso: Diretrizes 2027-2030” tem 76 páginas (versão de 13/08/2026). Diz: “Vamos promover a revisão e o redimensionamento da reforma tributária em curso” (p. 30 e 71). Cita um IVA “projetado em torno de 30%, contra uma média de 19%” na OCDE e “mais de R$ 500 bilhões em exceções” (p. 30 e 72). Propõe “reduzir efetivamente a carga sobre a produção e o consumo” (p. 30 e 71). Não menciona IR, isenção, dividendos nem imposto mínimo.

Como mudou a posição da campanha de Flávio sobre a reforma?

Em 2026, a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou três caminhos para a reforma do consumo, segundo declarações datadas publicadas pela imprensa:

  • 12/02 e 11/04: falava em “revisitar” e “atualizar” a reforma.
  • 09/05: defendeu que a reforma fosse “completamente revogada”.
  • 20/05 a 22/06: a campanha passou a falar em suspender a reforma por um ano. Em 20/05, o coordenador Rogério Marinho sugeriu negociar uma PEC entre o 2º turno e a posse.
  • 18/08: Marinho falou em revisar a reforma em até seis meses de mandato.
  • 06/10 e 07/10: a economista Daniella Marques disse que a revisão “não precisa iniciar a discussão constitucional inteira”. Flávio afirmou que o ponto principal a discutir é o IVA de 28%. A campanha também passou a defender o fim do split payment.

E do lado de Lula?

Até 13/10/2026, não foi localizada resposta direta de Lula à proposta de suspender ou revisar a reforma, e o quadro se manteve nas buscas feitas até 20/10/2026. A defesa da reforma veio de auxiliares: o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em 08/10 que, “com menos fraude, a alíquota geral será menor para todos”, ao falar do split payment. O debate sobre o split está no texto acabar com o split payment: o que mudaria.

Como votaram e o que assinaram?

RegistroDataResultadoPosição
PEC 45/2019 (reforma tributária), Senado08/11/202353 x 24Flávio: não, nos dois turnos
PLP 68/2024 (CBS, IBS e Seletivo), Senado12/12/202449 x 19Flávio: não
PLP 108/2024 (Comitê Gestor do IBS), Senado30/09/202551 x 10, 1 abstençãoFlávio: não
PL 1087/2025 (IR zero até R$ 5 mil), Senado05/11/2025Unanimidade, sem voto nominalFlávio: apoiou
EC 132/202312/2023Promulgada pelo CongressoLula a chamou de “histórica”
LC 214/202516/01/2025Sancionada com vetosLula: sancionou
Lei 15.270/2025 (isenção até R$ 5 mil)26/11/2025Câmara aprovou por 493 a 0Lula: sancionou
LC 227/2026 (Comitê Gestor do IBS)13/01/2026SancionadaLula pediu “estabilidade jurídica”

Quem fala pelas campanhas sobre impostos?

Na campanha de Lula, o vice é Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, no cargo desde 20/03/2026, é apontado como coordenador econômico. Em 26/08, Fernando Haddad disse que “a reforma tributária acaba com a guerra fiscal”. A linha dos auxiliares é manter a reforma e corrigir falhas na implementação.

Na campanha de Flávio, o vice é Alfredo Gaspar (PL-AL), e a coordenação é de Rogério Marinho. A área econômica tem Daniella Marques e Adolfo Sachsida à frente de sete economistas. Em 18/08, Marinho disse que, sem as exceções, o IVA seria de “21 pontos percentuais”. A linha atual é revisar a reforma sem reabrir a discussão constitucional e acabar com o split payment.

O que aconteceu entre 13 e 20 de outubro?

Dois fatos do período se ligam ao tema. Primeiro: o Congresso aprovou o PLP 186/2026, que eleva o teto do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028, amplia de um para dois o número de empregados e perdoa dívidas de MEIs inscritas na Dívida Ativa. A Câmara aprovou em 14/10, por 461 a 4, e o Senado em 15/10, por 78 a 0. O texto aguarda sanção, e a matéria consultada não informa os votos individuais. A elevação do teto a R$ 140 mil em 2028 era atribuída pela imprensa à campanha de Lula.

Segundo: no debate da Band, em 18/10, as coberturas consultadas não registraram embate direto sobre a reforma do consumo, o IVA ou o split payment.

Quanto um IVA de 19% mudaria um preço? (exemplo hipotético)

Considere um produto com valor de R$ 1.000 antes dos tributos, sem redução de alíquota. Com o IVA de 27,91% (CBS mais IBS), usado como hipótese nas projeções, o tributo seria de R$ 279,10, e o preço, R$ 1.279,10. Com 19%, meta citada pela campanha de Flávio, o tributo seria de R$ 190, e o preço, R$ 1.190. A diferença é de R$ 89,10 por unidade.

Nenhum dos dois números é lei: 27,91% é estimativa, e 19% é proposta sem texto legal nem fonte de compensação informada. Mais contexto no texto IVA de 27,91%: o Brasil terá o maior IVA do mundo?

O que as empresas devem fazer agora?

Proposta de campanha não muda a lei vigente. Até que o Congresso aprove outra regra, vale o calendário atual.

  1. Mantenha o plano para a CBS em 01/01/2027: sistemas, cadastro de produtos e notas fiscais prontos.
  2. Monte o orçamento de 2027 com pelo menos dois cenários de alíquota e acompanhe a resolução do Senado, prevista até 15/12/2026.
  3. Revise contratos de longo prazo com cláusula de reequilíbrio por mudança tributária.
  4. Mapeie quanto do seu custo depende de exceções e regimes diferenciados, que podem entrar em revisão.
  5. Simule o efeito do split payment no caixa, mesmo com o uso facultativo previsto para 2027.
  6. Acompanhe o calendário pós-eleição no texto do 2º turno à posse e o cronograma 2026 a 2033.

Perguntas frequentes

O que Lula propõe para a Reforma Tributária em 2026?

Lula propõe manter a reforma do consumo no cronograma atual. O plano registrado no TSE fala em consolidar os avanços, sem citar alíquota nem prazo, e defende usar o Imposto Seletivo contra produtos nocivos à saúde.

O que Flávio Bolsonaro propõe para a Reforma Tributária?

Flávio Bolsonaro propõe revisar e redimensionar a reforma em até seis meses de mandato, reduzir o IVA de cerca de 28% para perto de 19% e cortar exceções setoriais. A campanha também defende acabar com o split payment, sem projeto detalhado até 20/10/2026.

Em que ponto os dois candidatos concordam?

Os dois apoiam a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Lula sancionou a Lei 15.270/2025, e Flávio apoiou o projeto no Senado e promete mantê-la.

Como Flávio Bolsonaro votou na Reforma Tributária?

Segundo os relatórios de votação nominal do Senado, Flávio votou contra a PEC 45/2019 em 08/11/2023, nos dois turnos. Também votou contra o PLP 68/2024 e o PLP 108/2024, que regulamentaram a reforma.

A CBS começa em 2027 mesmo se o resultado da eleição mudar o governo?

Sim, pela lei vigente a CBS começa a ser cobrada em 01/01/2027, quatro dias antes da posse em 05/01. Um adiamento dependeria de uma PEC aprovada pelo Congresso atual até dezembro, com 308 deputados e 49 senadores.

O IVA de 27,91% já é a alíquota oficial?

Não. O 27,91% é a hipótese usada nas projeções de arrecadação para CBS mais IBS. A alíquota da CBS de 2027 será fixada pelo Senado, com base no cálculo enviado pelo TCU.

Este conteúdo é informativo, compara posições públicas documentadas dos dois candidatos e não constitui recomendação de voto.

Próximo passo

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Fontes principais

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