Reforma Tributária 20 out 2026 · 11 min · leitura

Quanto custa reduzir a jornada de 44 para 40 horas? O cálculo que a empresa precisa fazer

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Guilherme Souza
20 out 2026
Calculadora ao lado de laptop sobre a mesa, usada para calcular o custo da redução da jornada de 44 para 40 horas

O custo da redução da jornada de 44 para 40 horas é de 10% a mais no custo por hora quando o salário mensal é mantido: 44 dividido por 40 dá 1,10. Isso não significa uma folha 10% maior. A folha só sobe nessa proporção se a empresa repuser todas as horas, com pessoas de custo equivalente e sem ganho de produtividade, e se toda a equipe for afetada. Por isso a conta certa começa pela escala de cada posto e só depois chega ao percentual.

Em resumo

  • Custo por hora: com salário mantido, a passagem de 44 para 40 horas encarece a hora em 10%.
  • Duas etapas: 44 para 42 horas (+4,76%) e 42 para 40 horas (+5,00%). Os fatores se multiplicam, não se somam.
  • Folha não sobe 10% por padrão: o acréscimo incide só sobre a parcela afetada e só se as horas forem repostas.
  • Exemplo hipotético: uma prestadora com R$ 700 mil de pessoal teria +R$ 30 mil por mês na etapa de 42 horas e +R$ 63 mil na de 40 horas. Os valores se substituem.
  • Seis para cinco dias: dá 20% a mais de trabalhadores-dia, que não se somam aos 10% das horas.
  • Produtividade: um ganho aproveitável de 5% por hora cortaria o acréscimo do exemplo pela metade; 10% o zeraria. Mas o ganho precisa ser demonstrado.
  • Folha não é calendário: 13º, férias, terço, benefícios e recrutamento vencem em datas próprias.

Por que começar pela escala e não pelo percentual?

A Emenda Constitucional 141/2026 foi publicada no Diário Oficial da União em 16/10/2026. Ela fixa 42 horas semanais e dois dias de repouso semanal remunerado a partir de 16/12/2026 e 40 horas a partir de 16/12/2027, sem redução salarial. O prazo da primeira etapa é contado em meses (dois meses após a publicação), não em 60 dias. Veja o guia do fim da escala 6×1 e da EC 141/2026.

O percentual é a parte fácil. O difícil é saber onde faltam horas. Um posto de portaria não fica coberto porque a pessoa trabalha mais depressa. Já uma área administrativa pode entregar o mesmo volume em menos horas se reduzir retrabalho.

A primeira pergunta é: quais horas faltam, em qual função, dia e unidade? Uma sobra na segunda de manhã não resolve a falta de cozinheiros no sábado à noite.

De onde vêm os 10% no custo por hora?

Com salário igual e menos horas, cada hora fica mais cara. A conta é a razão entre a jornada antiga e a nova.

EtapaContaAumento do custo por hora
44 para 42 horas (a partir de 16/12/2026)44 ÷ 42 = 1,0476+4,76%
42 para 40 horas (a partir de 16/12/2027)42 ÷ 40 = 1,0500+5,00% sobre a etapa de 42 h
Acumulado 44 para 40 horas1,0476 × 1,0500 = 1,10+10,00%

Repare que 4,76% mais 5,00% dá 9,76%, e não 10%. Os percentuais de cada etapa não devem ser somados. O correto é multiplicar os fatores, como em qualquer reajuste composto.

Quanto aumenta a folha com o fim da 6×1?

Para a folha inteira crescer 10%, toda a equipe teria de estar em 44 horas, todas as horas teriam de ser repostas com custo equivalente e não poderia haver ganho de produtividade. Raramente as três condições valem juntas.

Exemplo hipotético: prestadora de serviços por postos

Imagine uma prestadora com gasto mensal de pessoal de R$ 700 mil. Desse total, 90% (R$ 630 mil) correspondem à equipe afetada pela redução. Os outros 10% já trabalham em jornada menor ou não precisam de reposição.

  • Etapa de 42 horas: R$ 630 mil × 4,76% = cerca de R$ 30 mil a mais por mês.
  • Etapa de 40 horas: R$ 630 mil × 10% = R$ 63 mil a mais por mês.
  • Folha total na etapa de 40 horas: R$ 63 mil ÷ R$ 700 mil = 9% a mais, e não 10%.

Os dois valores são comparados com a situação inicial de 44 horas. Quando a segunda etapa começa, os R$ 63 mil substituem os R$ 30 mil. Somar os dois (R$ 93 mil) superestimaria o gasto. Esse é um exemplo hipotético, não uma média do setor.

A passagem de seis para cinco dias soma mais 20%?

Não. Com duração diária fixa e cobertura invariável, passar de seis para cinco dias de trabalho por pessoa exige 20% a mais de trabalhadores-dia (6 ÷ 5 = 1,20). É outra forma de medir a mesma restrição de atendimento.

A empresa não paga 10% pelas horas e mais 20% pelos dias. Ela precisa montar uma única escala que respeite ao mesmo tempo o limite semanal, a jornada diária e o descanso. Duas folgas do empregado não obrigam a empresa a fechar dois dias: o trabalho pode ser distribuído entre equipes, conforme as regras e a convenção coletiva.

Quantas pessoas um posto de 24 horas exige?

Um posto ocupado 24 horas por dia, sete dias por semana, precisa de 168 horas de cobertura semanal. O número de jornadas integrais depende do limite semanal.

Jornada semanalCálculoJornadas necessárias por posto
44 horas168 ÷ 443,82
42 horas168 ÷ 424,00
40 horas168 ÷ 404,20

Os números não incluem férias, faltas, afastamentos e intervalos, e não autorizam uma escala. E há o arredondamento: uma unidade pequena pode precisar de uma pessoa inteira onde a conta indica uma fração.

Quanto a produtividade pode reduzir o custo da redução de jornada?

Para produzir o mesmo em 40 horas, a produtividade por hora teria de subir 10%. Uma fórmula simples mostra o efeito de ganhos menores:

Custo adicional = P × E × máx[0; H0 ÷ (H1 × (1 + G)) − 1]

Nela, P é o gasto mensal de pessoal, E a parcela afetada, H0 a jornada anterior, H1 a nova jornada e G o ganho de produtividade por hora que reduz de fato a cobertura. O piso zero evita supor demissões automáticas.

Ganho de produtividade aproveitável (G)Acréscimo mensal na etapa de 40 h (exemplo hipotético)
0%R$ 63,00 mil
3%R$ 42,82 mil
5%R$ 30,00 mil
10%zero

São resultados da fórmula, não metas. Em postos de presença obrigatória, como vigilância e portaria, o ganho pode não reduzir a cobertura: o contrato exige alguém no local. Para levar um ganho ao orçamento, teste em uma equipe ou unidade, registre o volume entregue e acompanhe qualidade, horas extras e faltas. E não conte o mesmo efeito duas vezes.

Como o custo muda em empresas com perfis diferentes?

O mesmo cálculo aplicado a seis empresas hipotéticas mostra como o peso do pessoal e a margem de partida mudam o resultado. As proporções de pessoal afetado foram escolhidas para a simulação e não representam os setores.

Empresa hipotéticaReceita (R$ mil/mês)Pessoal (R$ mil/mês)AfetadoAcréscimo 42 h (R$ mil)Acréscimo 40 h (R$ mil)Margem inicialMargem em 40 h
Serviços por postos1.00070090%30,0063,006,00%-0,30%
Restaurante3009090%3,868,108,00%5,30%
Hospital3.0001.35040%25,7154,006,00%4,20%
Logística1.50045080%17,1436,008,00%5,60%
Supermercado2.00020090%8,5718,004,00%3,10%
Indústria2.00040085%16,1934,0010,00%8,30%

Acréscimos sempre comparados às 44 horas; as duas colunas não se somam. A margem é o EBITDA dividido pela receita, sem reajuste de preço e sem efeito tributário. A prestadora de postos passa a operar no prejuízo, enquanto a indústria perde menos de dois pontos. Para ver quais atividades concentram mais pessoal, leia os setores mais afetados pelo fim da escala 6×1.

O que as estimativas nacionais dizem e o que não dizem?

A CNI divulgou em 23/02/2026 uma estimativa de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano de aumento de custos com empregados, em cenários de reposição das horas por contratação ou por horas extras. É uma estimativa condicionada às premissas da entidade.

O número dimensiona o tema, mas não mede o efeito líquido depois de preços, produtividade e demanda, nem diz quanto a sua empresa vai contratar.

Por que a folha não é calendário?

O gasto mensal usado nos exemplos distribui os custos de pessoal de forma igual ao longo do ano. No caixa, cada parcela vence em uma data. Salários, encargos, 13º salário e pagamento de férias aparecem em meses diferentes.

  • No custo anual do mensalista, as 12 remunerações já incluem o mês de férias. Somar outro salário cheio contaria a mesma remuneração duas vezes.
  • O terço constitucional de férias, os encargos e o custo de quem substitui o ausente exigem linhas próprias.
  • Vale-transporte e vale-refeição costumam variar por dia trabalhado; plano de saúde, por empregado.
  • Recrutamento e treinamento saem do caixa antes de o novo empregado produzir.

Só depois de ter a escala possível, com custo completo e datas de pagamento, faz sentido negociar quanto repassar ao cliente. E mesmo um reajuste suficiente pode chegar tarde, como mostramos em por que o reajuste de preço pode não salvar o caixa.

O que fazer agora: cálculo da escala 5×2 passo a passo

  1. Liste equipes, funções e unidades, com a jornada atual de cada uma e a convenção coletiva aplicável.
  2. Separe a parcela da folha realmente afetada pela redução (quem está acima de 42 e de 40 horas).
  3. Monte a escala de cobertura por posto, dia e horário para 42 horas e para 40 horas, respeitando os dois dias de repouso.
  4. Calcule o acréscimo de cada etapa contra a base de 44 horas, sem somar as etapas.
  5. Arredonde para pessoas inteiras e inclua férias, ausências, admissão e treinamento.
  6. Considere ganho de produtividade só onde ele puder ser medido e o contrato permitir.
  7. Distribua o custo pelas datas reais de pagamento e leve o resultado para a projeção de caixa da nova jornada e da Reforma.
  8. Com o custo em mãos, revise preço e margem contrato a contrato.

Este conteúdo é uma análise gerencial. Enquadramento, regime compensatório e contratos públicos têm regras próprias e devem ser verificados com o jurídico e nos instrumentos coletivos.

Perguntas frequentes

Quanto custa reduzir a jornada de 44 para 40 horas?

Com o salário mensal mantido, o custo por hora sobe 10%, porque 44 dividido por 40 resulta em 1,10. O aumento da folha costuma ser menor, porque incide só sobre a equipe afetada e depende de quantas horas a empresa precisa repor.

A folha de pagamento vai subir 10% com o fim da escala 6×1?

Não necessariamente. A folha só sobe 10% se toda a equipe for afetada, todas as horas forem repostas com custo equivalente e não houver ganho de produtividade. Em um exemplo hipotético com 90% da equipe afetada, o aumento da folha foi de 9%.

Como calcular o custo das etapas de 42 e de 40 horas?

A etapa de 44 para 42 horas eleva o custo por hora em 4,76% e a de 42 para 40 horas em mais 5,00%. Os fatores se multiplicam e chegam a 1,10. Cada etapa deve ser comparada com a base de 44 horas, e os valores não se somam.

A troca da escala 6×1 pela 5×2 soma 20% ao custo?

Não. Passar de seis para cinco dias dá 20% a mais de trabalhadores-dia com duração diária fixa, mas essa é outra forma de medir a mesma restrição. A empresa precisa de uma única escala que atenda ao limite semanal, à jornada diária e ao descanso.

Quantas pessoas são necessárias para cobrir um posto 24 horas com jornada de 40 horas?

Um posto 24 horas exige 168 horas por semana, o que equivale a 4,20 jornadas de 40 horas, contra 3,82 em 44 horas. A conta não inclui férias, faltas e intervalos, e a empresa precisa arredondar para pessoas inteiras.

O ganho de produtividade pode zerar o custo da redução de jornada?

Em tese, sim: um ganho aproveitável de 10% por hora permite entregar o mesmo volume em 40 horas. Em postos de presença obrigatória, porém, o ganho pode não reduzir a cobertura, e qualquer ganho precisa ser medido antes de entrar no orçamento.

Quando começam a valer as jornadas de 42 e de 40 horas?

Pela EC 141/2026, publicada em 16/10/2026, o limite de 42 horas e os dois dias de repouso semanal valem a partir de 16/12/2026, e o de 40 horas a partir de 16/12/2027. Convenções coletivas, enquadramento e contratos públicos devem ser verificados caso a caso.

Próximo passo

O custo da nova jornada é só uma parte da conta: ele precisa caber no caixa junto com a transição da Reforma Tributária, mês a mês. Para ver a conta completa, com o caso mês a mês, a análise de sensibilidade e o roteiro para a reunião da diretoria, baixe grátis o relatório O caixa entre a nova escala e o novo preço. E, se quiser medir o efeito da nova jornada e da Reforma Tributária nos números da sua empresa, peça uma simulação de impacto a um especialista da Assertif.

Fontes principais

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