Reforma Tributária 20 out 2026 · 11 min · leitura

Fim da escala 6×1: como empresas como RD Saúde, Giraffas e Copacabana Palace estão se adaptando

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Guilherme Souza
20 out 2026
Equipe de bar e restaurante em atendimento, exemplo de setor que adapta escalas com o fim da 6x1

As empresas estão se adaptando ao fim da escala 6×1 por caminhos diferentes, inclusive dentro do mesmo setor. RD Saúde, Supernosso e Supermercados Pague Menos passaram ou testam a 5×2 mantendo 44 horas. Palácio Tangará, Gurumê e Verdemar reduziram a carga semanal e reforçaram equipes. Chiquinho Sorvetes avalia abrir mais tarde, o Giraffas aposta em autoatendimento e o Copacabana Palace fez a transição por etapas. Nenhum desses casos prova que a mudança se paga em qualquer empresa: eles mostram escolhas que cada negócio precisa simular com os próprios números.

Em resumo

  • Três decisões: mudar a escala mantendo 44 horas, reduzir a carga semanal e encurtar o funcionamento têm efeitos diferentes no caixa.
  • 12 casos: de franquias de alimentação a hotéis de luxo e mineração, com estágios que vão de avaliação a teste encerrado.
  • 5×2 não é 40 horas: distribuir 44 horas em cinco dias não resolve, sozinho, a passagem para 40 horas em 16/12/2027.
  • Horário menor: o ganho líquido é gasto evitado menos margem das vendas definitivamente perdidas menos novos custos.
  • Cinco caminhos: ampliar equipe, encurtar horário, mudar o processo, reter pessoas e implantar por etapas.
  • Limite da evidência: os casos são relatos à imprensa, sem auditoria, e incluem um teste abandonado.

Quais decisões as empresas estão tomando diante do fim da 6×1?

Antes de calcular quanto custa repor horas, a empresa precisa decidir quais horários e serviços quer preservar. Os casos mostram três decisões que não podem ser confundidas:

  • Mudar a escala mantendo 44 horas: redistribui dias e folgas, mas não reduz a carga. Deixa pendente a etapa de 40 horas.
  • Reduzir a carga semanal: exige repor horas, provar produtividade ou mudar o serviço. É aqui que surge o custo da cobertura.
  • Encurtar o funcionamento: muda a receita e o custo de cada faixa horária, não o limite da jornada.

Pela EC 141/2026, o limite cai para 42 horas com dois dias de repouso a partir de 16/12/2026 e para 40 horas a partir de 16/12/2027. Os detalhes estão no guia sobre o fim da escala 6×1.

Como cada empresa está se adaptando?

A tabela resume 12 casos publicados pela imprensa até 19/10/2026. Estágio e resultados seguem as reportagens. Os exemplos não formam amostra representativa nem atestam a conformidade jurídica de nenhuma escala.

EmpresaSetorEscalaCarga semanalEstágio
Chiquinho SorvetesAlimentaçãoEquipes fixas e rotativasNão divulgadaEm avaliação
RD SaúdeVarejo farmacêutico5×244 h mantidasAdotado
SupernossoSupermercados5×244 h mantidasPiloto
Supermercados Pague MenosVarejo alimentar5×2 com 8h48 por dia44 h mantidasEm unidades
GiraffasRestaurantesArranjos por lojaNão divulgadaEm expansão
Milky MooAlimentação12×36 em cerca de 80% das lojasNão divulgadaModelo anterior
GurumêRestaurantes5×2Cerca de 38 hTeste
VerdemarSupermercadosAlternadaReduzidaImplantado
Palácio TangaráHotelaria de luxo5×242 hImplantado
Copacabana PalaceHotelaria de luxo5×2 por áreaPreservadaEm transição
AngloGold AshantiMineração4×4 nas minasNão divulgadaImplantado
Grupo BahRestaurantes e hotelariaMenos dias44 h mantidasEncerrado

Varejo e supermercados

Segundo a Folha, a RD Saúde adotou a 5×2 com 44 horas e cogita encurtar o horário de algumas lojas. O sindicato SINFAR/SP contestou a forma da mudança, posição sindical e não decisão judicial. De acordo com o BHAZ, o Supernosso testa desde março de 2026 escalas montadas com inteligência artificial e fecha uma a duas horas mais cedo em algumas unidades, e a empresa diz ter mantido as vendas. A Folha relatou que o Supermercados Pague Menos, rede paulista que não tem relação com a rede de farmácias, reduziu ou suprimiu o domingo em unidades em teste e diz ver menos faltas. Já o Verdemar, segundo o Estado de Minas, negociou com o sindicato uma escala alternada com carga menor e ampliou o quadro em 15% a 20%, conforme a função.

Restaurantes e alimentação

Em entrevista à Folha, o CEO da Chiquinho Sorvetes, Isaias Bernardes, disse avaliar abrir mais tarde e preservar o período de maior movimento, que começa às 14h. À Exame, o CEO do Giraffas, Carlos Guerra, contou que parte do preparo passa à indústria, que o autoatendimento deve chegar a toda a rede até o fim de 2026 e que cada loja simula sua própria escala. Também à Exame, o fundador da Milky Moo, Lohran Soares, disse que a maior parte das lojas já opera em 12×36, modelo anterior à mudança legal. Segundo a Folha, o Gurumê converteu cinco de dez unidades para cerca de 38 horas e relata 30% menos rotatividade. O contraponto é o Grupo Bah: a Folha informou que o teste com menos dias e 44 horas foi abandonado por jornadas diárias longas e gorjeta individual menor.

Hotelaria e mineração

Segundo a Panrotas e a Folha, o Palácio Tangará passou de 44 para 42 horas em 5×2, com 27 contratações e cerca de R$ 2 milhões por ano previstos. O Copacabana Palace, de acordo com a Folha e a Exame, começou em maio de 2025 uma transição por departamento, aproveitando a ocupação menor durante obras. À Exame, a AngloGold Ashanti relatou escala 4×4 nas minas e quatro dias no escritório, junto com investimentos em tecnologia.

O que dizem especialistas e entidades setoriais?

Em entrevista à Exame, o consultor de varejo Lásaro do Carmo Junior defendeu comparar o custo de contratar com as vendas perdidas ao fechar mais cedo, e revisar despesas e fornecedores. Segundo o UOL, José Velloso, da Abimaq, citou banco de horas no curto prazo e automação no longo, e a Anahp, dos hospitais privados, defendeu negociar modelos de jornada sem prejudicar o atendimento. Banco de horas não elimina custo, e automação exige gasto antes da economia. As duas visões sobre horário, abrir menos ou contratar mais, podem ser compatíveis em lojas com demanda diferente.

Reduzir o horário de funcionamento compensa?

Depende de uma conta simples: ganho líquido = gastos efetivamente evitados − margem das vendas definitivamente perdidas − novos custos da mudança. Três cuidados:

  • Vendas transferidas não são perdidas: o cliente que passa a comprar em outro horário continua gerando margem.
  • Gastos que ficam não são economia: aluguel e contratos fixos continuam.
  • A folha não cai na mesma proporção: fechar uma hora antes não reduz salários se o quadro se mantém. O ganho costuma vir de uma contratação evitada ou de menos horas extras.

Exemplo hipotético: uma loja fecha uma hora mais cedo. Evita uma contratação, horas extras e energia, somando R$ 6,5 mil por mês. A última hora vendia R$ 40 mil por mês, com margem de contribuição de 30%. Se 60% dessas compras migrarem para outro horário, a venda perdida é de R$ 16 mil e a margem perdida, de R$ 4,8 mil. Com R$ 500 de novos custos, o ganho líquido é de R$ 1,2 mil por mês. Se nada migrar, a margem perdida sobe para R$ 12 mil e a mudança dá prejuízo de R$ 6 mil por mês. A diferença está toda na premissa de migração, que precisa ser medida.

Quais caminhos simular e o que cada um muda na conta?

CaminhoExemplosO que precisa entrar na conta
Preservar o atendimento e ampliar a equipeVerdemar, Palácio TangaráAdmissão, treinamento, salários e encargos, com a data do primeiro desembolso
Encurtar o funcionamentoChiquinho, Supernosso, Pague MenosVendas perdidas, vendas transferidas, despesas evitadas e obrigações de horário
Reduzir tarefas ou mudar a execuçãoGiraffas, AngloGold AshantiInvestimento, fornecedores, manutenção e economia comprovada depois da mudança
Compensar com menor rotatividade e faltasGurumê, relatos do varejoReposições, horas extras e treinamentos evitados, sem contar a mesma economia duas vezes
Implantar por etapasCopacabana PalaceDesembolsos por fase e reforço quando a operação voltar ao volume normal

O orçamento não deve partir de um aumento uniforme da folha, e sim da comparação entre essas alternativas. Para estimar o custo de cada uma, veja quanto custa reduzir a jornada de 44 para 40 horas e quais setores são mais afetados.

O que o CFO deve pedir antes de copiar o exemplo de outra empresa?

  1. Vendas por faixa horária, por loja ou unidade.
  2. Margem de contribuição de cada faixa, depois de taxas e comissões.
  3. Presença mínima por função e por horário.
  4. Horas extras atuais e o limite permitido pela convenção coletiva.
  5. Custo completo de uma contratação, incluindo treinamento.
  6. Datas dos desembolsos e do ganho esperado, mês a mês.

Na retenção, separe a queda de desligamentos de outras mudanças do período. No horário menor, verifique se a compra foi perdida ou transferida. Na contratação, confira se o novo quadro cabe no preço atual ou depende de reajuste, e quando esse reajuste vira dinheiro. O post sobre capital de giro na nova jornada mostra por que esse prazo importa. Antes de mudar escalas, valide convenção, enquadramento e contratos com apoio jurídico.

O que os casos provam e o que não provam?

  • Documentado: empresas consideram ou executam respostas diferentes. Os casos não medem a frequência de cada uma no mercado.
  • Possível: encurtar horários, contratar, reduzir rotatividade e automatizar podem ajudar. Valores e percentuais citados não são médias setoriais.
  • Não sustentado: a ideia de que a redução de jornada se paga em qualquer empresa. Os modelos e resultados variam, e há um teste abandonado.

A conclusão prática é definir a operação que será sustentada, comparar alternativas viáveis e calcular como financiar a adaptação. Um roteiro para isso está em projeção de caixa para a nova jornada e a Reforma.

Perguntas frequentes

Quais empresas já adotaram a escala 5×2?

Segundo reportagens publicadas até outubro de 2026, RD Saúde, Supernosso, Supermercados Pague Menos, Palácio Tangará e Copacabana Palace adotaram ou testam a 5×2. Gurumê e Verdemar também reduziram a carga semanal, e o Grupo Bah encerrou seu teste.

Passar para a 5×2 resolve o fim da escala 6×1?

Não por completo. Distribuir 44 horas em cinco dias atende à mudança de descanso, mas a carga máxima cai para 42 horas em 16/12/2026 e para 40 horas em 16/12/2027, o que exige outra decisão sobre horas.

Reduzir o horário de funcionamento diminui a folha?

Não na mesma proporção, porque salários e quadro costumam continuar iguais. O ganho vem de contratações evitadas, menos horas extras e despesas variáveis menores, descontada a margem das vendas definitivamente perdidas.

Como calcular se vale a pena fechar mais cedo?

Some os gastos efetivamente evitados, subtraia a margem das vendas definitivamente perdidas e os novos custos da mudança. Vendas que apenas migram para outro horário não entram como perda.

A menor rotatividade compensa o custo da jornada menor?

Pode compensar parte do custo, como relatam Gurumê e Pague Menos. Mas os números são informados pelas empresas, sem auditoria, e a economia precisa ser medida em reposições, horas extras e treinamentos evitados.

Posso copiar a escala de outra empresa do meu setor?

Não é recomendável copiar sem análise. A escala depende da convenção coletiva, do enquadramento e da demanda por horário de cada unidade, e o efeito financeiro precisa ser calculado com os dados da própria empresa.

Por que o Grupo Bah desistiu do teste?

Segundo a Folha, o teste concentrava 44 horas em menos dias e foi encerrado por dificuldades operacionais e insatisfação, com jornadas diárias mais longas e gorjeta individual menor. O caso não prova que 40 horas fracassam, mas mostra que os ganhos não são garantidos.

Próximo passo

O exemplo de outra empresa ajuda a enxergar opções, mas não diz quanto a sua vai gastar nem quando vai receber. Para ver a conta completa, com o caso mês a mês, a análise de sensibilidade e o roteiro para a reunião da diretoria, baixe grátis o relatório O caixa entre a nova escala e o novo preço. E, se quiser medir o efeito da nova jornada e da Reforma Tributária nos números da sua empresa, peça uma simulação de impacto a um especialista da Assertif.

Fontes principais

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