Notícias 09 out 2026 · 6 min · leitura

Imposto Seletivo: MP fica para depois das eleições e cobrança deve atrasar em 2027

G
Guilherme Souza
09 out 2026
Retrato de Dario Durigan, ministro da Fazenda

A medida provisória que fixa as alíquotas do Imposto Seletivo, o chamado “imposto do pecado”, só será enviada ao Congresso depois do segundo turno das eleições, no fim de outubro de 2026. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em 8 de outubro, após acordo com os setores afetados. Como a Constituição exige 90 dias entre a publicação e o início da cobrança, o tributo não deve começar em 1º de janeiro de 2027, e sim no fim de janeiro ou em fevereiro. O governo estima perda de R$ 3,82 bilhões em 2027 com o atraso.

Em resumo

  • O que mudou: a MP do Imposto Seletivo fica para depois do segundo turno, no fim de outubro;
  • Acordo: segundo Durigan, o governo fechou acordo com os setores afetados e fará nova reunião com eles;
  • Início da cobrança: por causa da noventena, deve ficar para o fim de janeiro ou fevereiro de 2027;
  • Arrecadação: previsão de R$ 41,9 bilhões no primeiro ano, com perda estimada de R$ 3,82 bilhões pelo atraso;
  • Diretriz: a proposta do governo é manter a carga que esses setores pagam hoje de IPI;
  • Split payment: Durigan defendeu o mecanismo, criticado pela equipe econômica de um dos candidatos. Ele continua previsto para o segundo semestre de 2027, opcional.

O que é o Imposto Seletivo?

É o tributo federal criado pela Reforma Tributária para incidir sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Além de arrecadar, a ideia é desestimular o consumo. Ele começa a valer em 2027, no lugar de parte do IPI. Os detalhes estão no nosso guia Imposto Seletivo: o que é, sobre quais produtos incide e quando começa.

Segundo a Agência Brasil, os setores envolvidos no acordo são:

  • cigarros e bebidas alcoólicas;
  • bebidas açucaradas;
  • veículos, aeronaves e embarcações;
  • bens minerais;
  • apostas esportivas.

Por que o atraso empurra a cobrança para 2027 adentro?

Pela noventena: a Constituição exige um prazo mínimo de 90 dias entre a publicação da norma que cria ou aumenta certos tributos e o início da cobrança. Para valer em 1º de janeiro, a MP precisaria ter sido publicada até o início de outubro. Segundo o governo, o envio até 2 de outubro garantiria a arrecadação cheia prevista para 2027.

CenárioEnvio da MPInício estimado da cobrança
Plano originalAté 2/10/20261º/01/2027
Novo plano anunciadoDepois do 2º turno (fim de outubro)Fim de janeiro ou fevereiro de 2027
Arrecadação do Imposto Seletivo em 2027Valor estimado pelo governo
Previsão com cobrança desde janeiroR$ 41,9 bilhões
Perda estimada pelo atrasoR$ 3,82 bilhões

E o IPI desses produtos?

A Reforma reduz a zero as alíquotas do IPI a partir de 2027, com exceção dos produtos que concorrem com a Zona Franca de Manaus. O Imposto Seletivo ocupa parte desse espaço para os itens considerados prejudiciais. Segundo a Agência Brasil, a proposta do governo é que a nova cobrança mantenha a carga atual de IPI desses setores. Enquanto a MP não for publicada, porém, não há alíquotas definidas, e as empresas desses setores ainda não sabem exatamente quanto vão pagar.

O que foi dito sobre o split payment?

No mesmo dia, Durigan defendeu o split payment, mecanismo que separa o IBS e a CBS no momento do pagamento entre empresas. A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, havia dito que o instrumento prejudica o capital de giro das empresas e que seria extinto em caso de vitória. O ministro afirmou que o split é uma inovação aprovada por ampla maioria para reduzir a sonegação e a emissão de notas frias, e que não haverá “cavalo de pau” na implementação da Reforma.

Pela regra atual, o split payment começa no segundo semestre de 2027, de forma opcional e só entre empresas. Os testes com bancos começam em 15 de outubro.

O que as empresas devem fazer

  1. Setores sujeitos ao Imposto Seletivo: preparar sistemas e preços para dois cenários de início (janeiro ou fevereiro de 2027) e acompanhar a publicação da MP;
  2. Revisar contratos de fornecimento de 2027 com cláusula de repasse de tributos novos;
  3. Não parar a preparação para IBS e CBS: o calendário dos tributos principais não mudou. Use o checklist para 2027;
  4. Acompanhar o debate eleitoral sem antecipar mudanças: propostas de campanha não alteram a lei em vigor. Veja a discussão sobre se a Reforma pode ser revogada.

Perguntas frequentes

Quando sai a MP do Imposto Seletivo?

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, depois do segundo turno das eleições, no fim de outubro de 2026, após acordo com os setores afetados.

O Imposto Seletivo começa em janeiro de 2027?

Provavelmente não. Por causa da noventena de 90 dias, uma MP publicada no fim de outubro só permite cobrar o tributo a partir do fim de janeiro ou de fevereiro de 2027.

Quanto o governo perde com o atraso?

O governo estima perda de R$ 3,82 bilhões em 2027, sobre uma arrecadação prevista de R$ 41,9 bilhões no primeiro ano.

Quais produtos pagam Imposto Seletivo?

Entre os setores envolvidos estão cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, veículos, aeronaves, embarcações, bens minerais e apostas esportivas.

O Imposto Seletivo vai aumentar a carga desses produtos?

Segundo a Agência Brasil, a proposta do governo é manter a carga que esses setores pagam hoje de IPI. As alíquotas só serão conhecidas com a publicação da MP.

O split payment vai acabar?

Pela lei em vigor, não. Ele está previsto para o segundo semestre de 2027, de forma opcional. Propostas de campanha para extingui-lo dependeriam de mudança na legislação.

Próximo passo

Com datas e alíquotas ainda em movimento, a preparação para 2027 precisa considerar cenários. Se a sua empresa quer medir o impacto do Imposto Seletivo, do IBS e da CBS em preços e margens, fale com um especialista da Assertif.

Fontes principais

Imagem de destaque: Dario Durigan, ministro da Fazenda. Foto: Ministério da Fazenda.

Voltar para Insights