Notícias 03 nov 2026 · 8 min · leitura

MP do Imposto Seletivo vai ao Congresso: carga igual à do IPI, cobrança em fevereiro e ajuste pela saída do ICMS da base

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Guilherme Souza
03 nov 2026
Garrafas de bebida enfileiradas, representando os produtos que passam do IPI ao Imposto Seletivo com a medida provisória

A medida provisória do Imposto Seletivo, o chamado “imposto do pecado”, está pronta e tem envio ao Congresso previsto para esta terça-feira, 3 de novembro de 2026, depois de um despacho do ministro da Fazenda, Dario Durigan, com o presidente Lula. Segundo reportagem de Jéssica Sant’Ana no UOL Economia, Durigan afirmou que o texto seria levado ao presidente hoje. O acordo com os setores afetados é manter em 2027 a mesma carga que o IPI cobra hoje. Como o ICMS faz parte da base do IPI e não fará parte da base do Seletivo, a alíquota nominal precisa subir para que a carga fique igual. Pela regra dos 90 dias, o IPI segue em janeiro só para esses produtos e o Seletivo passa a valer a partir de fevereiro.

Em resumo

  • Envio: a MP saiu da Fazenda e foi para a Casa Civil; o envio ao Congresso estava programado para 3/11, após reunião com Lula. Até o fechamento deste texto, não localizamos a publicação no Diário Oficial.
  • Carga: governo e setores combinaram manter no Seletivo a mesma carga do IPI atual em 2027.
  • Ajuste de base: o ICMS está dentro da base do IPI; sem ele, a alíquota do Seletivo precisa ser maior para arrecadar o mesmo valor.
  • Calendário: IPI prorrogado em janeiro de 2027 só para esses segmentos, e Seletivo a partir de fevereiro, por causa da noventena.
  • PEC: a prorrogação do IPI depende de uma emenda constitucional aprovada até o fim do ano.
  • CBS: o TCU calculou 11,3% para 2027; o Senado tem até 15/12 para fixar a alíquota. Durigan negou que a demora no Seletivo tenha influenciado esse cálculo.
  • Minério e petróleo: pelo que já foi noticiado, a cobrança nesses itens só começa em 2028.

O que Durigan disse sobre a MP do Imposto Seletivo?

Segundo a reportagem do UOL, o ministro informou que a MP seria enviada a Lula nesta terça. Outros veículos, como Metrópoles, CNN Brasil e SBT News, registraram a mesma programação: o texto já tinha deixado a Fazenda, estava na Casa Civil e seguiria ao Congresso depois do despacho com o presidente. Durigan disse ainda que o acordo com os setores levou mais tempo do que o esperado, o que explica o atraso em relação ao calendário original.

O governo tinha até 2 de outubro para publicar as alíquotas e cobrar o Seletivo já em 1º de janeiro. Esse prazo passou, e o envio ficou para depois do 2º turno das eleições, em 25 de outubro. Para entender o tributo desde o início, veja o que é o Imposto Seletivo.

Por que a alíquota do Seletivo precisa ser maior que a do IPI?

Porque as bases são diferentes. Hoje o ICMS integra o valor sobre o qual o IPI é calculado. O Seletivo terá uma base “limpa”, sem o ICMS. Para cobrar o mesmo valor em reais sobre uma base menor, a alíquota nominal precisa subir. Nas palavras do ministro, “Tem um ajuste de base, porque o ICMS está dentro da base de cálculo do IPI”.

Veja um exemplo hipotético, só para ilustrar a conta. Um produto sai da fábrica por R$ 100, já com R$ 18 de ICMS embutido (alíquota de 18%). Suponha um IPI de 10% sobre esses R$ 100.

Exemplo hipotéticoIPI hojeSeletivo com carga igual
Base de cálculoR$ 100 (com ICMS)R$ 82 (sem o ICMS de R$ 18)
Alíquota nominal10%cerca de 12,2%
Imposto devidoR$ 10R$ 10
Se mantivesse 10%R$ 10R$ 8,20 (carga menor)

A conta é simples: R$ 10 dividido por R$ 82 dá cerca de 12,2%. Ou seja, uma alíquota maior no papel não significa, por si só, aumento de carga. O que importa é o valor final em reais. Os números reais virão com a MP publicada.

Quando começa o Imposto Seletivo e até quando vale o IPI?

A Constituição exige 90 dias entre a publicação da norma e o início da cobrança. Com a MP em novembro, o Seletivo só pode começar em fevereiro de 2027. Para não deixar janeiro sem tributo nesses produtos, o governo quer prorrogar o IPI apenas para os segmentos do Seletivo. Algumas reportagens falam em IPI em janeiro; outras, em janeiro e fevereiro. Essa prorrogação depende de PEC, como explicamos em PEC para prorrogar o IPI.

DataEvento
02/10/2026Prazo para publicar as alíquotas e cobrar o Seletivo em janeiro; não foi cumprido
25/10/20262º turno das eleições
28/10/2026TCU calcula a alíquota de referência da CBS de 11,3% para 2027
03/11/2026MP do Seletivo enviada a Lula, com envio ao Congresso previsto
Até 15/12/2026Prazo do Senado para fixar a alíquota da CBS; se não decidir, vale 11,3%
Até o fim de 2026Aprovação da PEC que prorroga o IPI nesses produtos
Janeiro de 2027CBS começa; IPI segue só para os segmentos do Seletivo
Fevereiro de 2027Início previsto da cobrança do Imposto Seletivo
2028Cobrança sobre minério e petróleo, segundo o que já foi noticiado

O que muda por setor?

O acordo cobre os segmentos que hoje pagam IPI e vão migrar para o Seletivo. As alíquotas de cada produto ainda dependem do texto oficial. O detalhamento anterior está em Imposto Seletivo em 2027 e 2028 por setor.

SetorJaneiro de 2027A partir de fevereiro de 2027Ponto de atenção
Fumo e cigarrosIPI prorrogadoSeletivo com carga igual à do IPIAlíquota nominal sobe pelo ajuste de base
Bebidas alcoólicasIPI prorrogadoSeletivo com carga igual à do IPIRegras por tipo de bebida dependem da MP
Bebidas açucaradasIPI prorrogadoSeletivo com carga igual à do IPIPercentuais ainda não divulgados
VeículosIPI prorrogadoSeletivo com carga igual à do IPICarga por modelo só será conhecida com a MP
Minério e petróleoSem SeletivoSem SeletivoCobrança prevista só para 2028

Por que o Seletivo mexe na alíquota da CBS?

Porque CBS e Seletivo dividem a mesma meta de arrecadação federal sobre o consumo. Quanto menos o Seletivo arrecada, maior precisa ser a CBS. A proposta de Orçamento de 2027 previa R$ 41,9 bilhões de Seletivo no ano, e um mês sem a cobrança pressiona essa conta. Mesmo assim, Durigan negou que a demora tenha influenciado o cálculo da CBS.

Em 28 de outubro, o TCU aprovou a alíquota de referência de 11,3% para a CBS em 2027, com redutor de cerca de 44,2% nas compras governamentais. O Senado tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota por resolução; se não o fizer, vale o número do TCU. Veja os detalhes em a decisão do TCU sobre a CBS e no guia da alíquota de referência.

O que fazer agora

  1. Liste os produtos da empresa sujeitos ao Seletivo e a classificação fiscal de cada um.
  2. Calcule a carga atual de IPI em reais por produto, não só a alíquota.
  3. Simule o ajuste de base: quanto o ICMS pesa hoje na base do IPI de cada item.
  4. Prepare sistemas e notas fiscais para dois regimes em 2027: IPI em janeiro e Seletivo a partir de fevereiro.
  5. Acompanhe a publicação da MP, a tramitação da PEC do IPI e a resolução do Senado sobre a CBS.
  6. Revise preços e projeção de caixa do primeiro trimestre com esses cenários.

Perguntas frequentes

A MP do Imposto Seletivo já foi publicada?

Até o fechamento deste texto, não localizamos a MP no Diário Oficial da União. O envio ao Congresso estava previsto para 3 de novembro de 2026, depois de um despacho do ministro da Fazenda com o presidente Lula.

O Imposto Seletivo vai aumentar a carga em 2027?

Segundo o governo, não. O acordo com os setores afetados é manter no Seletivo a mesma carga do IPI atual. A alíquota nominal pode ser maior, mas só para compensar a saída do ICMS da base.

Por que a alíquota do Seletivo será diferente da do IPI?

Porque o ICMS hoje faz parte da base de cálculo do IPI e não fará parte da base do Seletivo. Com uma base menor, é preciso uma alíquota maior para cobrar o mesmo valor em reais.

Quando começa a cobrança do Imposto Seletivo?

A previsão é fevereiro de 2027, por causa da regra que exige 90 dias entre a publicação e a cobrança. Em janeiro, o IPI deve continuar só para os produtos do Seletivo, o que depende de aprovação de uma PEC.

O atraso do Seletivo mudou a alíquota da CBS?

O ministro Durigan negou essa relação. O TCU calculou 11,3% para 2027, e o Senado tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota; se não decidir, vale o número do TCU.

Minério e petróleo pagam Imposto Seletivo em 2027?

Pelo que já foi noticiado sobre o acordo entre governo e setores, a cobrança sobre minério e petróleo só começa em 2028. A confirmação final depende do texto publicado da MP.

Próximo passo

Com dois regimes no início de 2027 e alíquotas novas no Seletivo, preço, margem e caixa precisam de simulação produto a produto. Para medir esse efeito na sua operação, fale com um especialista da Assertif.

Fontes principais

  • MP do Imposto Seletivo será enviada hoje a Lula, diz Durigan (Jéssica Sant’Ana), UOL Economia
  • Durigan afirma que MP do imposto do pecado deve ir nesta 3ª ao Congresso, Metrópoles
  • Governo quer enviar MP do Imposto do Pecado nesta terça, SBT News
  • Fazenda envia MP do Imposto Seletivo e projeta redução gradual de alíquotas, Brasil 247
  • TCU fixa alíquota da CBS em 11,3% para 2027, Poder360
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