Notícias 16 out 2026 · 8 min · leitura

Governo estuda PEC para prorrogar o IPI e cobrir o atraso do Imposto Seletivo em 2027

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Guilherme Souza
16 out 2026
Copos de bebida alcoólica, cigarro em cinzeiro, fichas e dados sobre a mesa, produtos alcançados pelo Imposto Seletivo e hoje tributados pelo IPI

O Ministério da Fazenda estuda enviar ao Congresso, depois do segundo turno das eleições, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a Reforma Tributária para prorrogar o IPI sobre fumo, bebidas alcoólicas, refrigerantes e veículos. O objetivo é evitar uma perda de cerca de R$ 3,82 bilhões em janeiro de 2027, causada pelo atraso na regulamentação do Imposto Seletivo, o “imposto do pecado” que substitui o IPI nesses produtos. A informação foi publicada pelo Valor Econômico e confirmada pela Folha de S.Paulo com participantes de uma reunião realizada em 13 de outubro, em Brasília.

Em resumo

  • O que está em estudo: uma PEC para manter o IPI sobre os produtos que passarão ao Imposto Seletivo; segundo o Valor, até 31 de janeiro de 2027;
  • Por que: a MP com as alíquotas do Imposto Seletivo ficou para depois das eleições e, pela noventena, a cobrança só pode começar em fevereiro;
  • Quanto está em jogo: R$ 3,82 bilhões, cerca de 9% dos R$ 41,9 bilhões previstos com o Imposto Seletivo em 2027;
  • Compromisso com os setores: alíquotas calibradas para manter a carga atual de IPI e Imposto Seletivo zero para bens minerais no primeiro ano;
  • O que não muda: o governo mantém o cronograma de janeiro de 2027 para a CBS, que substitui PIS, Cofins e IOF sobre seguros.

Por que o governo quer prorrogar o IPI?

A Reforma Tributária prevê o fim do IPI a partir de janeiro de 2027, com exceção dos itens similares aos fabricados na Zona Franca de Manaus quando produzidos fora da região ou importados, como celulares e motos. Para fumo, bebidas, veículos e outros produtos considerados prejudiciais, o lugar do IPI será ocupado pelo Imposto Seletivo.

O Congresso já definiu quais produtos pagarão o novo tributo, mas deixou as alíquotas e regras específicas para uma regulamentação posterior. Essa medida provisória precisava ser publicada até 2 de outubro de 2026 para que a cobrança começasse em janeiro, respeitando o prazo de 90 dias exigido pela Constituição. Como o governo adiou a MP para depois das eleições, o Imposto Seletivo só poderá ser cobrado a partir de fevereiro. Sem ajuste, esses setores ficariam um mês sem pagar nem o IPI nem o novo imposto.

Como o fim do IPI está na Constituição, a prorrogação exige uma emenda constitucional. Daí a opção pela PEC.

EtapaDataSituação
Prazo para a MP do Imposto Seletivo valer em 1º de janeiro2/10/2026Perdido
Reunião da Fazenda com CNI, Receita e empresas13/10/2026Realizada
Envio da MP e da PEC ao CongressoDepois do 2º turnoPrevisto
Fim do IPI para a maioria dos produtos1º/01/2027Mantido
Início possível do Imposto SeletivoFevereiro de 2027Previsto

Quem participou da reunião e o que foi prometido?

O encontro de 13 de outubro reuniu o ministro Dario Durigan, a Receita Federal, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e fabricantes de cervejas, vinhos, destilados, refrigerantes, cigarros e aeronaves, além de entidades da mineração e do petróleo. Segundo a Folha, o governo reforçou dois compromissos:

  • as alíquotas do Imposto Seletivo serão calibradas para manter a carga atual de IPI dos setores que hoje pagam esse imposto;
  • os bens minerais alcançados pelo novo tributo (minério de ferro, petróleo, carvão e gás) terão Imposto Seletivo zero no primeiro ano.

Em nota, a Fazenda disse que a intenção é garantir previsibilidade e segurança jurídica para 2027 e que os detalhes da proposta serão discutidos no Congresso “no momento oportuno”. Entre os setores, apenas o Sindicerv, que reúne a indústria da cerveja, se manifestou publicamente: reconheceu o esforço do ministério e disse aguardar a proposta com as alíquotas combinadas nas negociações. Os demais ainda avaliam o impacto operacional da prorrogação.

Qual era a alternativa à PEC?

Segundo a Folha, o governo poderia elevar a alíquota do Imposto Seletivo nos meses seguintes para recuperar o que deixou de arrecadar em janeiro. O risco é que as empresas adiantassem a produção para janeiro, aproveitando o mês de tributação menor, o que reduziria o efeito da compensação. A prorrogação do IPI evita esse vazio.

Quais produtos pagam o Imposto Seletivo?

O Imposto Seletivo substitui o IPI para fumo, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e veículos classificados como poluentes. Também alcança aeronaves, embarcações, minério de ferro, petróleo, concursos de prognósticos e fantasy sport. Diferentemente do IPI, que é fixado pelo tipo de produto, o novo tributo pode variar conforme o dano potencial, como o teor alcoólico da bebida.

O que os números do Orçamento de 2027 mostram?

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 indica que o governo precisa arrecadar cerca de 5% do PIB com os tributos que estão sendo substituídos, para manter a carga de 2012 a 2021, como determina a trava da Reforma contra aumento de impostos. Um terço da arrecadação administrada pela Receita vem desses tributos, por isso qualquer atraso pesa nas contas públicas.

Receita prevista no PLOA 2027Valor% do PIB
Total a arrecadar com os tributos substituídosR$ 725 bilhõescerca de 5%
CBS (fevereiro a dezembro)R$ 636,8 bilhões4,3%
Tributos extintos, em janeiro, sobre fatos de 2026cerca de R$ 46 bilhões0,3%
Imposto SeletivoR$ 41,9 bilhões0,3%
Perda estimada com o atraso do Imposto SeletivoR$ 3,82 bilhões9% da receita do tributo

Os R$ 41,9 bilhões previstos com o Imposto Seletivo cobrem pouco mais de 40% do que o IPI arrecada hoje, já que o IPI deixa de existir para a maior parte dos produtos.

A PEC abre espaço para outras mudanças na Reforma?

É a dúvida levantada por tributaristas ouvidos pela Folha. Mesmo que o texto do governo trate só do IPI, uma PEC em tramitação pode receber emendas, e o Congresso pode tentar mudar outros pontos da Reforma, ainda que contra a posição do governo. O tema entrou na campanha: o candidato Flávio Bolsonaro (PL) prometeu adiar ou rever partes do novo sistema, sem detalhar quais. Veja até onde a Reforma pode ser alterada em a Reforma Tributária pode ser revogada?

E a CBS, continua em janeiro de 2027?

Sim. O governo Lula mantém o cronograma: em janeiro de 2027, PIS, Cofins e IOF sobre seguros são extintos e substituídos pela CBS. Um adiamento também dependeria de mudança na Constituição. A alíquota será conhecida no fim de outubro, com cálculo do TCU a partir de dados da Receita. O Senado deve ratificar o percentual até dezembro; se não o fizer, vale o valor definido pelo tribunal. Para a CBS, a Constituição não exige noventena.

O que as empresas devem fazer

  1. Setores do Imposto Seletivo: planejar janeiro de 2027 em dois cenários, com IPI prorrogado ou sem nenhum dos dois tributos, e ajustar sistemas de faturamento para a troca em fevereiro;
  2. Demais produtos industrializados: o IPI continua previsto para zerar em janeiro, salvo a exceção da Zona Franca de Manaus. Revise preços e tabelas com essa premissa;
  3. Contratos de 2027: confira cláusulas de repasse de tributos novos ou extintos;
  4. IBS e CBS: o calendário não mudou. Siga o checklist da Reforma para 2027 e acompanhe a divulgação da alíquota da CBS no fim de outubro.

Perguntas frequentes

O IPI vai continuar em 2027?

Para a maioria dos produtos, não: as alíquotas zeram em janeiro de 2027, exceto nos itens que concorrem com a Zona Franca de Manaus. O governo estuda uma PEC para manter o IPI apenas sobre os produtos que passarão ao Imposto Seletivo, como cigarros, bebidas e veículos, até o novo tributo começar.

Por que é preciso uma PEC para prorrogar o IPI?

Porque o fim do IPI a partir de 2027 está previsto na Constituição, pela Reforma Tributária. Só uma emenda constitucional pode mudar esse prazo.

Quando o Imposto Seletivo começa a ser cobrado?

Como a MP com as alíquotas ficou para depois das eleições, a regra dos 90 dias empurra o início da cobrança para fevereiro de 2027.

Quanto o governo perderia sem a prorrogação?

Cerca de R$ 3,82 bilhões, equivalentes a 9% dos R$ 41,9 bilhões previstos com o Imposto Seletivo em 2027.

O Imposto Seletivo vai aumentar a carga sobre bebidas e cigarros?

Segundo o compromisso do governo com os setores, as alíquotas serão calibradas para manter a carga atual de IPI. Os valores só serão conhecidos com a publicação da MP.

A CBS também pode ser adiada?

O governo mantém a CBS para janeiro de 2027. Um adiamento dependeria de mudança na Constituição. A alíquota será conhecida no fim de outubro, após cálculo do TCU.

Próximo passo

Com IPI, Imposto Seletivo e CBS mudando de data e de forma ao mesmo tempo, o planejamento para 2027 precisa de cenários. Se a sua empresa quer medir o impacto em preços, margens e créditos, fale com um especialista da Assertif.

Fontes principais

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